Coletivo de artistas falantes de português traça a cartografia do confinamento

Quase cem artistas participam do projeto “Mapas do Confinamento”, que une falantes de português com o objetivo de desenhar uma cartografia do confinamento através da arte e da cultura.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé, Timor Leste e diásporas de expressão portuguesa – Bélgica, França, Países Baixos, Reino Unido – são os países representados no projeto que reúne escritores, fotógrafos, ilustradores, poetas e tradutores.

“Mapas do Confinamento” nasceu em fevereiro, idealizado pelos escritores Gabriela Ruivo Trindade e Nuno Gomes Garcia, ambos portugueses e emigrantes – ela a viver em Londres e ele, em Paris.

Gabriela Ruivo Trindade vive em Londres desde 2004. Venceu o prémio LeYa com o seu primeiro romance, Uma Outra Voz, em 2013

A ideia é que esse coletivo construa em português (mas com tradução para francês e inglês) peças de expressão artística publicadas em uma revista eletrônica (já na segunda edição) e participe de debates que assinalem o momento marcante da nossa história, com a pandemia de Covid-19.

O projeto tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris para a realização de mesas redondas com os autores do projeto, que serão transmitidas nas redes sociais, numa primeira fase, entre abril e julho.

“A ideia é assustadora, mas há já um ano que vivemos tempos estranhos e novos: uma pandemia a galope, confinamentos sucessivos, medos vários, agravação de situações de isolamento, de

desigualdade e de pobreza. A saúde mental ressente-se, quando não é a outra a deitar-nos por terra. Pensámos que seria bom trabalharmos em conjunto para marcarmos da melhor forma o aniversário desta nossa nova forma de vida. Encontrar um projeto artístico comum, nestes tempos difíceis, pode dar-nos um alento inesperado”, explicam os criadores do projeto no material de divulgação.

Entre os nomes participantes do projeto estão Afonso Cruz, Maria Teresa Horta, Ana Luísa Amaral, Nuno Camarneiro, Ana Cristina Silva, Rui Zink, Richard Zimler (Portugal); Nara Vidal, João Anzanello Carrascoza, Ronaldo Cagiano, Marcela Dantés, Natalia Timerman (Brasil), Ondjaki, Lopito Feijóo, Kalaf Epalanga (Angola); Hirondina Joshua, Mélio Tinga (Moçambique); Emílio Tavares Lima (Guiné-Bissau); na tradução, Dominique Stoenesco, Clara Domingues (França), Harrie Lemmens (Holanda), Ana Carvalho (portuguesa residente na Holanda, tradutora e fotógrafa), Andy McDougall, Victor Meadowcroft (Reino Unido); na fotografia, para além de Ana Carvalho, Jordi Burch (natural de Catalunha); na ilustração, Rachel Caiano, Marta Madureira (Portugal), Yara Kono (natural do Brasil); entre muitos outros.

Nuno Gomes Garcia nasceu em Matosinhos e vive em Paris. Publicou quatro romances: Zalatune (2021), O Homem Domesticado (2017), O Dia em Que o Sol Se Apagou (2015) e O Soldado Sabino (2012)

Gabriela Ruivo Trindade é formada em Psicologia, vive em Londres desde 2004. Venceu o prémio LeYa com o seu primeiro romance, Uma Outra Voz, em 2013 (LeYa, 2014, Prémio PEN Primeira Obra 2015).

Nuno Gomes Garcia nasceu em Matosinhos, estudou História e foi arqueólogo. Vive em Paris, onde é consultor editorial e divulgador da literatura lusófona na rádio e na imprensa escrita. Em 2014, foi finalista do Prémio LeYa. Publicou quatro romances: Zalatune (2021), O Homem Domesticado (2017), O Dia em Que o Sol Se Apagou (2015) e O Soldado Sabino (2012).

Para acompanhar a produção do “Mapas do Confinamento” e ter acesso à revista eletrônica e gratuita, basta seguir o coletivo de artistas no Facebook e no Instagram ou pelo site mapasdoconfinamento.com.

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