Brasileira faz sucesso na internet com dicas de inglês

Nascida em São Paulo e residente no Reino Unido há 24 anos, a executiva da área de seguros Mariana Potts tem uma pronúncia perfeita do inglês britânico.

Ela não é professora, mas o seu Instagram (@dicasdeinglesmarianapotts) virou passagem obrigatória para quem quer aprender ou quem já domina o idioma, mas quer aprimorar a pronúncia e entender mais das expressões locais.

“Acho lindo o RP, o Received Pronunciation britânico. Eu amo porque os sons são suaves, nenhum som é carregado demais. Soa gentil e educado”, diz.

Fazer vídeos com dicas de inglês, e assim ajudar falantes de português a sair do básico e se fazer entender de verdade, foi uma ideia que Mariana teve em um momento delicado de sua vida.

“A decisão de dar dicas de inglês na internet surgiu em 2019 depois de um longo tratamento contra o câncer de mama”, conta nesta entrevista, concedida por e-mail.

Notícias em Português – Como surgiu a ideia dos vídeos com dicas de inglês?

Mariana Potts – A decisão de dar dicas de inglês na internet surgiu em 2019 depois de um longo tratamento contra o câncer de mama. Eu sou executiva há 21 anos e com a doença tive que me afastar do trabalho durante o tratamento. Nos últimos seis meses de licença médica, já me sentia melhor e precisava ocupar a minha cabeça. Foi então que comecei a passar bastante tempo na internet e, pela primeira vez, tive bastante contato com a comunidade brasileira aqui e senti que havia uma necessidade de alguém que os ajudassem com o inglês e a cultura britânica. Eu já tinha feito vídeos explicativos para a minha sobrinha no Brasil e, finalmente, tomei coragem e compartilhei com o mundo no Instagram.

Você acredita que temos na comunidade brasileira em UK um problema de analfabetismo funcional com o inglês?

Sim, eu acredito que haja uma grande dificuldade com o inglês na nossa comunidade. A maioria dos brasileiros só sabe o básico e isso os impede de conseguir empregos melhores. 

Quais são as maiores dificuldades para o brasileiro?

Os maiores problemas de pronuncia estão nos sons que não temos em português. As letras “mudas” também geram bastante confusão.

De onde é o seu público?

A maioria do meu público está no Brasil. 53% no Brasil, 39% na Inglaterra e o resto pelo mundo (de acordo com as estatísticas do Instagram).

Quanto tempo depois da sua chegada, você se sentiu fluente em inglês?

Eu já era fluente antes de chegar, fluente no sentido de conseguir me comunicar bem, mas faltava muita coisa ainda. Fiz intercambio nos Estados Unidos quando tinha 18 anos. Fiquei seis meses na Califórnia, vivendo com uma família americana e essa imersão de 24 horas por dia em inglês me deu uma base fantástica. Quando cheguei na Inglaterra, o sotaque era muito diferente e várias palavras e expressões também. Levou alguns anos para eu sentir que estava entendendo tudo, incluindo trocadilhos, piadas, ironias, jargões corporativos etc.

Qual o inglês mais bonito de ouvir (e falar): o americano ou o britânico?

O inglês mais bonito de falar é uma pergunta muito pessoal. Gosto não se discute, não é mesmo? Mas para mim é o RP, o Received Pronunciation britânico. Acho lindo! Eu amo porque os sons são suaves, nenhum som é carregado demais. Soa gentil e educado. Mas como eu sou uma amante das línguas, aprecio muito todos os sotaques e as diferenças regionais me encantam. 

Para quem mora no Reino Unido, mas convive mais com falantes de português: alguma dica de como praticar o inglês?

Falo sempre desse assunto no meu canal, brasileiros que não se integram, vivem e trabalham com outros brasileiros. É muito comum vermos isso por aqui já que é mais cômodo para um recém-chegado e o jeito é tentar ter a maior exposição possível com a língua. Fazer um esforço. Conversar com o vizinho, com outros estrangeiros e britânicos, fazer um curso, assistir televisão e, o mais importante, ter interesse em aprender. As pessoas que realmente estão interessadas vão longe.

Sente falta (ou saudade) de algo do Brasil?

Sinto saudade da minha família e algumas comidas. Do clima também. Mas nas férias, eu aproveito bastante e volto pronta pra mais um inverno aqui.

O que gosta mais da vida no Reino Unido?

O que eu mais gosto da vida no UK é a segurança, a criminalidade baixa e a organização. A desigualdade social aqui não se compara ao Brasil. Aqui as coisas não são perfeitas, mas acredito que não sejam perfeitas em lugar algum. Mas o povo tem o mínimo de dignidade. O serviço médico é gratuito e a educação pública é de boa qualidade. O cidadão tem mais oportunidades. Sem contar que estamos muito perto de vários outros países, o que facilita viajar e conhecer outras culturas, o que é muito importante para mim. 

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