Elo

Por Lyllian Braganca*

É inevitável dizer o quanto o movimento da escola de samba é feito pelas mulheres: a raiz (gera bons frutos), o ventre (gera novos frutos) e o elo (a ligação do passado com o presente) é a continuidade. Elas vão trazer toda estrutura necessária para o mantenimento dessas instituições para que estejam alicerçadas para seguirem seu percurso.

Temos vários nomes que fazem parte do elo, e que carregam o legado deixado por suas famílias, mas vamos nos atentar a três dessas famílias, que não por um acaso, são dessas escolas que saíram grandes sambistas que foram fundamentais para entender o carnaval paulistano.

Vamos começar falando da primeira e mais antiga escola de samba em atividade de São Paulo, a Lava-pés, hoje Lava-pés Pirata Negro. Fundada por Deolinda Madre (Madrinha Eunice), em 1937, a sucessão dessa história ficou para Rose Marcondes, sua neta. Em 2019, Rose, passou a presidência para Ailton Graça (sambista e que foi um grande mestre-sala, hoje ator) e ela sendo esse elo, segue sendo presidente de honra. Rose têm muitas lembranças, mas o que mais lhe trás recordação é ter saído de baianinha, aos 8 anos de idade. Ela tem muito orgulho, pois sua avó desfilava como baiana, e o símbolo da escola é uma baiana.

Passando pelo largo da Banana, o cordão Barra Funda, que se tornou escola de samba em 1953, e vai ter a família Tobias como continuidade e construindo uma história de luta pelo carnaval paulistano. Hoje, seu elo é Simone Tobias, que cresceu envolvida pelo processo da escola de samba e que hoje canta, com uma voz potente e trás tudo aquilo que aprendeu na agremiação. Inclusive, Simone, em 2018, teve uma passagem pela Bela Vista, desfilando no carro de som da escola. E sua avó, dona Sinhá, fez o inverso quando se apaixonou por Seu Inocêncio, deixando o Bixiga pelo Camisa. Simone ainda conta que teve receio de desfilar na grande rival, mas foi muito bem recebida. Sambista reconhece sambista.

A história do Vai – Vai se confunde com a de Dona Olimpia, que faleceu em 2015 com 100 anos. Ela criou todos os seus 5 filhos na escola, ainda como cordão, e todos desfilavam. Dona Cleusa, que começou a desfilar com 7 anos de idade, se tornando segunda porta – bandeira em 1976, em 1980 ela passa a conduzir o primeiro pavilhão, ficando por 23 anos neste cargo. Embora Dona Cleusa diga que sua “cabeça não está muito boa “, ela não esquece que foi do departamento feminino, diretora social, “intérprete de samba enredo quando o Carnaval era na São João e terminava no Anhangabaú, com Zé Di(intérprete e compositor, SP e RJ),o Pé Polícia, a Tia da Cleuzi, a Dirce, mãe do Toninho destaque”, e hoje ela faz parte da velha – guarda da agremiação.

Temos que enaltecer esses elos, que são fundamentais para entender como é constituída uma escola de samba, Rose, Simone e Dona Cleusa, são elos do passado com o presente, para vislumbramos um futuro, e a elas nossa gratidão!

* Lyllian Braganca é jornalista, sambista, fundadora do Coletivo Samba Quilomba e faz parte do time do Samba de Bamba UK. Instagram: @sambadebamba_uk Facebook / Samba de Bamba UK / Youtube: Samba de Bamba UK

Entenda o projeto Samba de Bamba UK

“Não deixe o Samba morrer, não deixe o Samba acabar, o morro foi feito de Samba, de Samba pra gente Sambar!”

O Samba de Bamba é Associação Cultural e Educacional de Samba que tem como propósito resgatar a cultura do samba tradicional, assim como os nomes que fizeram parte do seu surgimento desde o seu início.

Acreditamos que é criando um espaço de fala é que a gente cria também um lugar de aprendizado, um lugar que acolhe as memórias e aqui, além de cantá-las, nós queremos ouvi-las. Por isso, a ideia de ter uma coluna aqui no Notícias em Português é trazer o conteúdo histórico e social que o Samba passou e que reflete até hoje nas letras, comportamento, na memória e nos costumes que são a referência de um povo e de uma nação.

Os conteúdos serão escritos por historiadores, jornalistas e estudiosos no assunto, e que fazem parte do team Samba de Bamba. Deixamos aqui o convite para ler a coluna e dividir as suas opiniões sobre o tema com a gente, pois o samba, como qualquer vertente da arte, precisa da troca.

E até lá, dá uma olhadinha nas nossas redes sociais que tem muita história, lives, sambas e muito mais.

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Aqui os dois primeiros textos desta série sobre as mulheres no samba: Raiz e Ventre.

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