Comunidade brasileira em UK debate diversidade de gênero dia 3/03

Imagem: Unsplash

Em 2016, o Brasil já estava no topo do ranking de países com mais registros de homicídios de transgêneros segundo relatório da TGEU, uma ONG sediada na Alemanha e dedicada à luta pelos os direitos e bem-estar de pessoas trans na Europa e na Ásia.

Nos últimos anos, a situação piorou ainda mais. O Brasil não tem sido o único país apresentando um aumento no número de assassinatos de pessoas que não se identificam com o gênero ao qual foram designadas em seu nascimento.

Nos Estados Unidos, por exemplo, até agosto de 2020 o número de assassinatos a transgêneros já havia superado a quantidade de trans mortos durante todo o ano de 2019, segundo dados do Centro Nacional de Igualdade Trans (NCTE), localizado em Washington, D.C..

Já no Reino Unido, dados do departamento nacional de estatísticas britânico (ONS), divulgados no ano passado, revelaram que 20% das pessoas que se identificam como trans sofreram algum tipo de violência no período de março de 2019 à março de 2020.

Para bordar o tema, com a participação de profissionais trans, jornalistas e membros do público, o Conselho de Cidadania do Reino Unido (CCRU) organiza no dia 3/03 o evento online e gratuito “Ser Trans – Desafios e Conquistas”.

Evento online e gratuito.

Entre os convidados estão o ator e influenciador digital transgênero brasileiro Tarso Brant e a atriz e comediante brasileira radicada na França, Stella Rocha.

“A aceitação das pessoas hoje é maior porque esse assunto se tornou mais visível. E após o tema trans ter ficado em evidência nos últimos anos, muita coisa mudou e para melhor. Mas ainda há um longo caminho a percorrer, muita coisa a ser trabalhada, porque de um modo geral as pessoas estão se adequando para lidar da melhor forma sobre um tema que é delicado”, diz Tarso que em 2017 participou da novela “A Força do Querer”, de Glória Perez, na Rede Globo.

Para Stella Rocha, transgênero brasileira que já atuou em produções francesas de TV, teatro e cinema, entre elas a peça “Un point c’est tout” (um ponto e nada mais), encenada no histórico Palais Royal, em Paris, faltam oportunidades de trabalho e respeito para transexuais e membros da comunidade LGBT em geral.

“Ainda existe muito preconceito e muita violência contra transexuais em várias partes do mundo, diariamente. E esse preconceito resulta em falta de oportunidades no mercado de trabalho, seja qual for a profissão que um transexual escolher. Torço para que isso mude”, explica a profissional trans que é natural de Belém do Pará e que chegou à França em 1992.

“Quando eu trabalhei na Rede Record, nos anos que antecederam as Olimpíadas de Londres, em 2012 – e durante os jogos olímpicos – eu não lembro de ter visto uma matéria sequer sobre transgêneros. Não era decisão editorial nem veto. Simplesmente a discussão em torno do tema não existia. E quase dez anos mais tarde, ainda estamos longe de abordar sexualidade com a mesma naturalidade que abordamos outros temas sérios; mas houve um avanço significativo, incluindo a publicidade: até 2017 raramente chegava um briefing de cliente no meu departamento solicitando a inclusão de mais diversidade nas campanhas – e quando alguém lembrava de solicitar diversidade em algum anúncio, geralmente era diversidade de raças. Hoje as empresas estão mais antenadas com o mundo ao redor e tornou-se comum incluir diversidade de gênero no marketing que é feito para vender produtos e serviços em qualquer segmento”, relata Marcio Delgado, jornalista e coordenador de campanhas de marketing de influência na Europa e que, a convite do Conselho de Cidadania do Reino Unido, irá mediar o debate juntamente com a jornalista Érika Abreu.

“Precisamos quebrar tabus e mostrar que, enquanto sociedade em pleno século 21, precisamos aceitar o outro como ele é. Não há mais espaço, nos dias de hoje, para um tratamento diferenciado a nenhuma minoria – e informação pode ser uma arma valiosa no combate à discriminação. Por isso eu acho que eventos como este são importantes, independente de gêneros”, diz Érika Abreu, que é correspondente da RedeTV na Inglaterra.

‘Ser Trans – Desafios e Conquistas’ será transmitido ao vivo pelo Facebook e Youtube a partir das 19h (horário do Reino Unido) no dia 3 de março de 2021.

https://www.youtube.com/channel/UCEn-41crmf9GHMtPY72jzZw

Texto: CCRU

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