Portugueses no estrangeiro preveem abstenção recorde nas eleições presidenciais

Imagem: Unsplash

O movimento “Também somos portugueses”, lançado no Reino Unido em favor do voto postal nas eleições portuguesas, divulgou uma nota na qual prevê uma “provável elevada abstenção forçada” no próximo foro presidencial, marcado para os dias 23 e 24 de janeiro.

Isso porque a maior parte dos países da Europa, como Reino Unido, está em confinamento por causa da pandemia de coronavírus. O que significa que sair de casa para votar em um dos consulados é infringir a lei do país, com risco de multa. “Não imagino possível um acordo para que a polícia britânica libere portugueses de deslocar-se até o consulado para votar”, diz Paulo Costa, um dos fundadores do movimento “Também somos portugueses”, que vive no Reino Unido, onde estavam recenseados em março de 2020 97.792 eleitores em Londres e 32.929 em Manchester.

A seguir, o comunicado divulgado neste sábado (17/01) na íntegra:

“O movimento “Também somos portugueses” alerta para a provável elevada abstenção forçada que se registará por parte dos portugueses que vivem no estrangeiro nas próximas eleições presidenciais. O Movimento considera que estão reunidas as condições para uma revisão das leis eleitorais.

Conforme o movimento “Também somos portugueses” receava, as próximas eleições presidenciais decorrerão no pico da pandemia covid-19, e com confinamento máximo em vários pontos do globo, como por exemplo em Portugal e no Reino Unido. Lembremo-nos que na eleição para o Presidente da República o voto tem de ser presencial. Para além da habitual mas intolerável dificuldade em percorrer as grandes distâncias que os separam dos locais de voto, os portugueses no estrangeiro arriscam-se a quebrar regras locais e serem multados se tentarem exercer o seu direito de voto em vários países.

O movimento contactou, em novembro, todos os partidos políticos representados na Assembleia da República, o governo e a Comissão Nacional de Eleições para tentar uma alteração urgente à atual lei eleitoral que permitisse o voto postal para estas eleições. Infelizmente foi-nos dito que tal não seria possível em tempo útil. Registámos no entanto por parte de várias forças políticas e da própria Comissão Nacional de Eleições a abertura para uma revisão das leis que permita o voto postal para eleições futuras. Registámos também a disponibilidade para testar o voto online remoto.

Igualmente notámos que vários candidatos à presidência da República, nomeadamente Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Gomes e Marisa Matias, declararam publicamente serem favoráveis ao voto remoto dos emigrantes.

O Movimento “Também somos portugueses” considera que infelizmente as próximas eleições provarão que o voto remoto será a única forma de permitir que a portugueses no estrangeiro continuem vinculados à vida pública em Portugal, e apelam a que os partidos políticos representados na Assembleia a República e o Governo tirem as conclusões e assumam a necessidade das alterações às leis eleitorais que há anos os emigrantes defendem.

Também somos portugueses, todos temos o direito de votar!”

Para saber mais sobre a campanha, acesse www.tambemsomosportugueses.org.

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