Poder do voto latino nas eleições dos EUA

Por Maria Victoria Cristancho  (@mavicristancho)

Nas eleições presidenciais americanas de 3 de novembro, o voto latino parece ser muito bem valorizado, em meio à pior crise econômica, social e sanitária que a chamada primeira potência mundial viveu desde a Grande Depressão dos anos 1930.

Sem dúvida, a pandemia de Covid-19 colocou o presidente Donald Trump em uma situação comprometedora. Trump tentará manter o cargo na Casa Branca pelos próximos quatro anos e bloquear as aspirações do democrata Joe Biden, que, segundo as pesquisas, está mais de dez pontos à sua frente. 

E como cada voto conta, alguns observadores da política dos EUA estão começando a fazer cálculos, e tanto a campanha de Trump como a de Biden estão voltando sua atenção para o chamado “voto latino”, formado por cerca de 32 milhões de pessoas.

Este “voto” representa 13,3% da massa eleitoral norte-americana. Trata-se de uma porcentagem histórica que coloca os latinos como a maior “minoria racial ou étnica”, superando até mesmo os da chamada “ascendência africana”. Muitos acreditam que este poder latino poderia ser um fator determinante nas eleições americanas.

Segundo os analistas, esse fenômeno foi sentido durante a pandemia de Covid-19, na qual os latinos parecem estar sofrendo as consequências da crise sanitária neste país de mais de 328,2 milhões de pessoas, que foi o mais atingido, com mais de 8,2 milhões de casos de infecção e cerca de 220.000 mortes, de acordo com os números do rastreador da Universidade Johns Hopkins em Nova York.

Uma em cada três infecções por coronavírus vem das comunidades latinas. Nesse contexto, os analistas acreditam que o tratamento de Trump à crise pandêmica pode ter um efeito sobre o voto latino, que também foi atingido pelo desemprego, que alcançou um pico histórico de 7,9%. A força mais ativa e revigorante entre os latinos é a coalizão vencedora que Biden precisa, que entende que o voto dos brancos é mais mutável. O candidato democrata tem como alvo aquele eleitor emergente no Texas ou em Phoenix. Também Trump, que na última eleição demonizou os latinos como criminosos, não fala mais sobre o famoso muro entre os EUA e México, mas lançou todos os seus esforços para flertar com cubano-americanos na Flórida.

Em alguns relatos felizes, parece que 13,3% dos votos latinos estariam inclinados para Biden, o líder democrata de 77 anos que foi vice-presidente de Barak Obama, e que defende a política de saúde gratuita, mais conhecida como Obamacare.

Mas alguns analistas questionam se esse poder latino pode fazer pender a balança nas eleições americanas. A questão é que, embora o número potencial de eleitores latinos tenha crescido, nem todos estão convencidos da ideia de ir às urnas, disse Cesar Sabogal, analista político sediado em Washington. A taxa de abstenção é muito alta entre os latinos.

“Em cada processo eleitoral, os estrategistas tentam conquistar o voto latino, recorrendo inclusive a campanhas em espanhol. Mas no final esse esforço nem sempre se materializa em votos. Nós temos o poder, mas não o usamos, por isso algumas pessoas nos apelidam de gigantes adormecidos”, disse o analista nascido na Colômbia.

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