“Damos cotoveladas uns aos outros com sorrisos e as palavras mais simpáticas. Passamos a cotovelar os amigos e a família.”

Aceita uma cotovelada?

Por Manuel Gomes*

Geralmente associamos o cotovelo à dor. A inveja é dor de cotovelo. Por isso não há analgésicos para a dor de cotovelo. Todas as pessoas que já tiveram o privilégio de acertar com o cotovelo numa superfície mais dura ainda sabem do que falo. Geralmente passa depressa e raramente passa à doença crónica.

Já nas filas e dentro dos transportes públicos, o cotovelo é uma arma absolutamente necessária. Em pé, num autocarro lotado a sentir que estou com falta de espaço, vou usar os cotovelos. Se possível em cheio nas costelas da vítima para ver se ela percebe o meu recado.

Marido-mulher-mulher-marido a conversarem na base da cotovelada é violência doméstica.

Nas artes marciais, o cotovelo metido ao estômago dobra o inimigo e o pugilismo não aceita o uso dos “tais”.

Antes da pandemia, o cotovelo tinha uma conotação negativa. Dar uma cotovelada raramente era sinal positivo e depois o quê?

Não te posso dar um abraço mas dou-te a minha melhor cotovelada. Encostar os cotovelos faz parte da vacina contra o SARS. Damos cotoveladas uns aos outros com sorrisos e as palavras mais simpáticas. Passamos a cotovelar os amigos e a família.

Não estou seguro que o cotovelo esteja contente com esta escolha. Pode sempre perguntar por que não o joelho? Acho que o ombro iria reclamar.

Faz lembrar a anedota em que todos os órgãos do corpo estavam a discutir a sua importância na estrutura. Quando o intestino tem pressa, ninguém pensa.

Deixo-vos esta cotovelada na esperança que se divirtam tanto a ler como eu me diverti a escrever.

* Manuel Gomes é jornalista e escritor português londrino.

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