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Estádio do Chelsea travado

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Fotos e imagens: Reprodução





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Chelsea conseguiu aprovar na câmara de Londres, em 2017, o projeto de remodelação de Stamford Bridge. Até que apareceu a família Crosthwaites e o caso mudou


( lONDRES) Por Susana Raposeiro - Depois de ter finalmente conseguido a aprovação do mayor de Londres, Sadiq Khan, o projeto desenhado pelos arquitetos Herzog e De Meuron (que ficaram conhecidos pelo famoso “Ninho de Pássaro” em Pequim, o estádio que recebeu os Jogos Olímpicos de 2008) tinha tudo para avançar a médio prazo para uma requalificação que aumentaria a lotação para 60 mil espetadores, num pilar fundamental para a consolidação do crescimento do clube londrino. Até que entraram em ação os Crosthwaites, que vivem nas imediações do recinto.


A viver naquela casa há 50 anos, Lucinda, Nicolas e os filhos Louis e Rose argumentam que, da forma como o plano está desenhado, deixarão de ter luz em casa 24 horas por dia, tendo por isso submetido um requerimento judicial contra o projeto em vésperas de reunião entre os responsáveis do Chelsea e as autoridades dos bairros circundantes de Hammersmith e Fulham. “O novo estádio tem um impacto inaceitável nas nossas vidas”, descreveu a filha mais nova numa carta aberta citada pela BBC, que explica também que os Crosthwaites não estão contra a renovação do estádio mas sim contra o atual plano, nomeadamente os 17 mil lugares de hospitality que estão previstos (equivalentes a 26% do estádio).


Da parte do Chelsea, a argumentação continua a ser a mesma que sustentou a aprovação do projeto: a remodelação do recinto trará grandes benefícios para os locais a nível de serviços económicos, culturais e sociais, dando como exemplo os seis milhões de libras que reverterão para projetos educativos da comunidade. Em paralelo, e mostrando uma sondagem feita a 13 mil residentes locais onde 97,5% estão a favor do projeto, os blues defendem que os lugares destinados para hospitality não podem ser diminuídos porque a UEFA vai pedindo cada vez mais espaço para patrocinadores e convidados.


As palavras podem ser diferentes mas a ideia é sempre igual: quem se desloca pela primeira vez a Stamford Bridge comenta de forma inevitável como é possível haver um estádio naquele espaço onde, uma rua antes, quase não se consegue perceber que logo ali a seguir está a casa do Chelsea. E, apesar dos 42 mil espetadores que o recinto tem de lotação (e de ser um espaço com a sua mística), essa acabou por ser a dor de crescimento mais complicada de superar no clube desde que o milionário Roman Abramovich assumiu o comando dos blues.