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Crise humanitária: número de refugiados aumenta em 2016

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(LONDRES) Da redação


O ano de 2016 teve o maior número de refugiados e deslocados já registrados (65,6 milhões), devido a guerras civis, conflitos, à perseguição e fome. Trata-se da mais grave crise humanitária desde a fundação da ONU (1945). Dados são do Relatório Global Sobre Deslocamento Forçado em 2016, divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).


Os países no topo da lista de refugiados são Síria, Afeganistão, Sudão do Sul e Somália. As nações que mais recebem pessoas são Turquia, Paquistão, Líbano, Irã, Uganda, Etiópia e Jordânia.


Em comparação a 2015, o crescimento foi de 300 mil. Do total, 10,3 milhões foram forçados a deixar seus lares pela primeira vez (15,7%) e metade são crianças. Menores que viajaram sozinhos ou separados dos pais pediram cerca de 75 mil solicitações de refúgio no ano passado.


Conflitos entre governo do Sudão do Sul e grupos rebeldes agravaram a crise humanitária em 2016. Aproximadamente 740 mil sul-sudaneses foram forçados a se deslocar no ano passado devido à guerra civil que dura três anos, e o número de refugiados do país subiu para 1,87 milhão. No início de 2017, ONU e Sudão do Sul declararam estado de fome no país, com 100 mil pessoas em risco de inanição.


A guerra na Síria, que dura seis anos, ainda é a causa do maior fluxo de refugiados. São 5,5 milhões de pessoas que deixaram o país em busca de local mais seguro, segundo a Acnur.



Relatório desmitifica ideia de que países ricos são os que mais acolhem


O relatório também alertou para o elevado número de deslocamentos internos: 6,9 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar dentro de seus países. Síria, Iraque e Colômbia são as nações com maior número de refugiados internos.


Países em desenvolvimento foram os que mais acolheram refugiados em 2016. Do total, 84% estão em países de renda média a baixa. Uganda, Etiópia e Quênia, vizinhos do Sudão do Sul, receberam cerca 700 mil refugiados.


O relatório do Acnur desmitifica a ideia de que países mais desenvolvidos são os que mais prestam assistência a refugiados, afirmou o porta-voz do Acnur no Brasil, Luiz Fernando Godinho: "Isso mostra a necessidade dos países de renda média ou baixa serem melhor assistidos pela comunidade internacional".



Países de origem dos refugiados em 2016

Síria: 5,5 milhões

Afeganistão: 2,5 milhões

Sudão do Sul: 1,4 milhão

Somália: 1 milhão


Países que mais receberam refugiados

Turquia: 2,9 milhões

Paquistão: 1,4 milhão

Líbano: 1 milhão

Irã: 979,4 mil

Uganda: 940,8 mil

Etiópia: 791,6 mil

Jordânia: 685,2 mil