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​Retorno de aposentados britânicos após Brexit pode saturar sistema de saúde

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Pensioners


(LONDRES) Da redação




Os defensores do Brexit argumentam que é preciso conter a imigração para diminuir a pressão nos serviços de saúde e social do Reino Unido. No entanto, um estudo publicado na semana passada indica que a saída do país da União Europeia (UE) pode ter um efeito inesperado: o retorno de aposentados britânicos dobraria os gastos com atendimento médico e tornaria indispensável a contratação de mais funcionários da saúde.


Muitos aposentados britânicos vivem em países da Europa, principalmente Espanha. Como o Brexit pode significar o fim de acordos de livre circulação e moradia, eles seriam obrigados a retornar. O relatório foi realizado pela Fundação Nuffiels, organização independente britânica focada em questões de saúde.



De acordo com a fundação, 190 mil aposentados britânicos vivem em países do bloco europeu atualmente. Por meio de um programa da UE, conhecido como S1, aposentados europeus podem instalar-se em qualquer um dos 28 países do bloco e gozar dos mesmos cuidados médicos que os cidadãos locais. O governo britânico paga os custos ao país onde eles estão morando.


"Se os aposentados britânicos perderem a cobertura médica e tiverem que voltar para o Reino Unido, a fim de receberem cuidados de que necessitam, os custos anuais poderiam subir até 1 bilhão de libras por ano, exatamente o dobro dos 500 milhões atuais. Ainda mais difícil seria encontrar pessoal e leitos para essas pessoas", afirma o relatório.

De acordo com o estudo, seriam necessários ao menos 900 leitos hospitalares e 1.600 enfermeiros adicionais, "além de médicos e outros profissionais da saúde e de apoio". A fundação ressalta ainda o atual contexto de saturação da saúde pública britânica, que não consegue preencher todas as vagas de emprego e sofre de problemas financeiros.


Maioria dos aposentados vive na Espanha

Atualmente existem 900 mil britânicos que vivem em países da União Europeia, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (ONS). Um terço deles (308.805) optou por morar na Espanha.

O relatório acredita que após o Brexit "não será fácil manter acordos sanitários recíprocos como o S1", que são consequência do sistema de livre circulação dos trabalhadores na UE. A primeira-ministra britânica, Theresa May, deseja que o Reino Unido abandone o tratado de livre circulação para controlar a imigração.