-14 °C
Esporte

Ronaldo chamado à justiça?

|

Cristianoronaldo

Foto The Guardian / Suspeito de fraude, craque pode responder a processo na Espanha





(LONDRES)Por Susana Raposeiro



Cristiano Ronaldo está em vias de ser acusado pela justiça espanhola por fraude fiscal, avança o El Confidencial. A Autoridade Tributária espanhola está a reunir os últimos dados para que o processo contra Ronaldo dê entrada brevemente na Procuradoria de Madrid. Isto porque o prazo para concluir a acusação relativa a delitos fiscais de 2011 termina a 30 de junho deste ano. Quando estoirou o processo do Football Leaks, Ronaldo chegou a dizer que “nunca teve intenção de defraudar o Estado espanhol”.


Em causa está a suspeita de que Cristiano Ronaldo usou para os seus direitos de imagem as mesmas sociedades irlandesas que usaram outros jogadores de futebol como Fábio Coentrão, Falcao, Di Maria ou Ricardo Carvalho, todos agenciados por Jorge Mendes e todos eles já identificados pelo fisco de Madrid. De acordo com a investigação do Football Leaks, publicada inicialmente pelo jornal espanhol El Mundo, aquele que é considerado o melhor jogador do mundo desviou 150 milhões de euros provenientes dos seus diretos de imagem através de paraísos fiscais.


Na altura, quando a investigação foi divulgada, Cristiano negou ter qualquer problema com o Fisco espanhol, mas um porta-voz da agência que o representa disse ao El Mundo que “a Autoridade Tributária espanhola mantém critérios diferentes” sobre os direitos de imagem dos jogadores, e que, nessa lógica, “Ronaldo só estava obrigado a pagar pela receita gerada em Espanha e não pela receita total gerada a nível mundial”. Logo, o jogador “nunca teve intenção de defraudar o Estado espanhol”.


Fabio Coentrão


A Procuradoria de Madrid formalizou queixa contra Fábio Coentrão por alegada fraude fiscal no valor de 1,29 milhões de euros, entre 2012 e 2014, e contra o internacional colombiano Falcao, atualmente no Mónaco, que é acusado de ter defraudado o Fisco espanhol em 5,66 milhões de euros, entre 2012 e 2013. Todos estes futebolistas usaram a mesma agência irlandesa do agente Jorge Mendes, a Multisports & Image Management (MIM) Limited, uma empresa de gestão de direitos de imagem.


O português Fábio Coentrão é acusado de ter defraudado o fisco em 353 mil euros em 2012, 429 mil euros em 2013 e 510 mil em 2014. Segundo a acusação, Coentrão “assinou um contrato em que simulava a cedência dos direitos de imagem à sociedade Roddin Company INC, cujo domicílio fiscal está na cidade do Panamá, na república do Panamá”. No mesmo dia, segundo a imprensa, os mesmos direitos foram cedidos à sociedade irlandesa, uma tentativa de fintar o fisco espanhol.


Segundo a mesma investigação, Cristiano Ronaldo desviou para um paraíso fiscal pelo menos 150 milhões de euros para ocultar receitas de direitos de imagem. “Ronaldo gerou quase 150 milhões de euros em publicidade, e graças à opacidade da sua estrutura, terá pago apenas 5,6 milhões ao fisco espanhol, o equivalente a apenas 4%”, lê-se, explicando-se que usava uma empresa das ilhas Virgens, a Tollin Associates, que depois cedia os seus direitos à Multisports & Image Management, na Irlanda.