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Crise em Brasília: Temer diz mais uma vez que não renunciará

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Manifestantes pedem saída de Temer e convocação de novas eleições na Av. Paulista (Novena Rosa/Agência Brasil)






(LONDRES) Da Redação

Cada vez mais pressionado após a divulgação da delação premiada dos irmãos donos da JBS, o presidente Michel Temer disse em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que não deixará o cargo: "Se quiserem, me derrubem". O político do PMDB já tinha dito que não renunciaria em pronunciamento realizado após o início da crise.


Na semana passada, veio à tona o conteúdo dos depoimentos dos irmão Joesley e Wesley Batista à Procuradoria-Geral da República. Em uma conversa gravada por Joesley, o proprietário do frigorífico conta ao presidente que pagou propina a um procurador e dois juizes para que o ajudasse nas investigações da Lava Jato. Temer não se opõe ao fato e ainda diz "ótimo, ótimo".



Em outro momento do áudio, Joesley dá a entender que negocia a compra do silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Temer diz então que é para manter essa posição. O trecho, no entanto, é um pouco confuso e não é possível dizer claramente se Joesley falava de propina paga a Cunha ou se o presidente entendeu desta forma.



Presidente diz que não sabia que Joesley era investigado


Na entrevista à Folha, Temer disse que não sabia que o dono da JBS era investigado na Lava Jato no momento em que sua conversa fora gravada. "Fui ingênuo ao receber uma pessoa naquele momento".


Além disso, o presidente minimizou as denúncias de que teria ouvido uma série de crimes relatados por Joesley, como obstrução à Justiça, e não os teria reportado às autoridades: "Não dei a menor atenção a isso. Conheço o Joesley de antes desse episódio. Sei que ele é um falastrão".



STF abriu inquérito para investigar Temer


O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou abertura de inquérito para investigar o presidente. O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A delação já foi homologada pelo Supremo. Temer passa agora formalmente à condição de investigado na Operação Lava Jato.

Em mais um desdobramento do caso, peritos disseram que a fita usada na gravação pode ter sido editada. A defesa do presidente chegou a pedir a suspensão do inquérito contra ele no STF, ms depois desistiu e contratou uma perícia independente para analisar as fitas.


Protestos pedem renúncia e eleições diretas

Desde o início da crise vem ocorrendo manifestações em várias cidades do país. Milhares de pessoas pedem o afastamento de Temer da presidência e a realização de novas eleições. Segundo a Constituição, no entanto, caso o político do PMDB renuncie ou sofra um impeachment o novo presidente seria eleito de forma indireta pelo Congresso.

Já foram protocolados nove pedidos de afastamento de Temer na Câmara dos Deputados, que aguardam parecer do presidente da casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Além disso, foi instalada uma comissão para avaliar a possibilidade do Congresso votar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que abriria caminho para eleições diretas. Em meio à crise, o governo respirou aliviado com a decisão do PSDB e do DEM de permanecerem na base aliada até o fim do inquérito no STF.