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STF autoriza inquérito para investigar presidente; Temer diz que não renuncia

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Protesto na Av.Paulista pede saída de Temer (Paulo Pinto/AGPT)


Da Sucursal (Rio de Janeiro) - Após a divulgação do conteúdo da delação premiada dos donos da JBS, o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer. O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A delação já foi homologada pelo Supremo.


Temer passa agora formalmente à condição de investigado na Operação Lava Jato. Na delação, um dos donos da JBS, Joesley Batista, apresentou a gravação de uma conversa que manteve com o presidente no Palácio do Jaburu.


Nas conversas, segundo os procuradores o empresário dá a entender que comprou o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Michel Temer teria dito então que concordava com a medida. Os áudios foram liberados ontem. O trecho, no entanto, é um pouco confuso e não é possível dizer claramente se Joesley falava de propina paga a Cunha ou se Temer entendeu desta forma.


Outro trecho é bem mais claro. O dono da JBS afirma que comprou um procurador para lhe ajudar nas investigações da Lava Jato. Temer não mostra contrariedade e ainda diz “ótimo, ótimo”.


Pela Constituição, o presidente da República só pode ser investigado por atos cometidos durante o exercício do mandato e com autorização do STF. Os fatos narrados por Joesley Batista na delação teriam sido cometidos em março deste ano, quando Temer já ocupava o cargo.


Temer nega acusações e diz que não renuncia


Em pronunciamento feito ontem, Michel Temer negou as acusações e disse que não renunciaria ao cargo. O presidente afirmou que precisava continuar na presidência para o Brasil recuperar o crescimento econômico.


“No Supremo, mostrarei que não tenho nenhum envolvimento com esses fatos. Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dubiedade e de dúvida não pode persistir por muito tempo”, afirmou.


A partir de agora, no entanto, não se sabe o que irá ocorrer. Já foram protocolados pedidos de afastamento de Temer na Câmara. Caso a situação fique insustentável, ele poderia renunciar.


De acordo com a Constituição, seriam realizadas eleições indiretas. Mas com o Congresso sem legitimidade, muitos são contra essa possibilidade. Uma comissão da Câmara vai discutir uma PEC que tornaria legal a realização de eleições diretas para presidente. Nas ruas estão ocorrendo muitos protestos contra Temer e pedindo uma nova eleição. O futuro é incerto.