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​Delação de donos da JBS abala Brasília

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Temer redevida 0021

Deputados pedem impeachment do presidente Temer (Presidência da República)




Da sucursal (Rio de Janeiro) 


Entenda a delação


O conteúdo da delação premiada dos donos do frigorífico JBS, Joesley e Wesley Batista, foi revelado ontem pelo jornal O Globo e abalou os alicerces da República. Os dois disseram que gravaram o presidente Michel Temer dando aval para a compra do silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), após sua prisão na operação Lava Jato.


A delação, que vinha sendo negociada a alguns meses e foi acertada mais rapidamente que as outras, foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal.


Os donos da IBS entregaram gravação, feita em março, no qual Joesley diz a Temer que estava dando a Eduardo Cunha mesada para que permanecesse calado na prisão. Diante dessa informação, Temer diz, na gravação: "tem que manter isso, viu?"


Em outra gravação Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver assuntos da J&F, holding que controla o frigorífico JBS, no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).


O dono da JBS marcou encontro com Rocha Loures em Brasília e contou do que precisava. Pelo serviço, Joesley teria oferecido propina de 5% e Rocha Loures deu o aval. Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil.


Aécio é atingido por depoimento


Na delação de Joesley, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, foi gravado pedindo ao empresário R$ 2 milhões.O presidente nacional do PSDB justifica o pedido dizendo que precisava da quantia para pagar sua defesa na Lava Jato.


A entrega do dinheiro foi feita a Frederico Pacheco de Medeiros, o Fred, primo de Aécio, um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014.


Quem levou o dinheiro a Fred foi o diretor da JBS, Ricardo Saud. Foram quatro entregas, de R$ 500 mil cada uma. Um dos pagamentos foi filmado pela Polícia Federal (PF). A PF rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que foi depositado numa empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG). Também há imagens do dinheiro sendo entregue a Fred.


Repercussão


A delação repercutiu imediatamente e no dia seguinte em Brasília. O ministro do STF, Edson Fachin, proibiu Aécio de exercer as funções de senador. Ele foi afastado do cargo, mas continua senador. A Procuradoria-Geral da República pediu a prisão do tucano, mas Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, negou o pedido.


A PF deflagrou operação na manhã de quinta-feira (18) e fez buscas em vários gabinetes de políticos em Brasília, incluindo de Aécio Neves. O primo do senador foi preso, assim como a irmã do tucano, Andréa Neves, acusada de participar do esquema.


Impeachment


Nos mercados, o dólar disparou e a Bolsa de São Paulo chegou a perder mais de 10%. Na Câmara de Deputados, já foram protocolados pedidos de impeachment do presidente. Temer cancelou a agenda oficial e discute a situação com aliados. Ele teria dito a correligionários que "não vai cair".



Em caso de afastamento do presidente, a Constituição prevê eleições indiretas pelo Congresso. Mas com a classe política em crise, muitos defendem uma emenda que possibilitaria eleições diretas. Pouco após as denúncias houve manifestações pelo Brasil pedindo a queda de Temer.