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Cultura

Ilustrador brasileiro lança livros infantis por selo inglês

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Por Denis Kuck (Rio de Janeiro) - Numa época em que se propõe o fechamento de fronteiras e de medo de ataques terroristas, o trabalho do ilustrador Clayton Junior vai na direção oposta: fala de liberdade, esperança e rebeldia. Assuntos que parecem sérios, mas que na pena singela do cartunista curitibano se tornam doces livros infantis.



Clayton, que mora em Londres desde 2007, quando veio para a capital britânica fazer mestrado na Camberwell College of Arts, lançou recentemente duas obras pela editora inglesa Words & Pictures, do grupo Quarto.



“Tentei bolsas em instituições de literalmente o mundo inteiro. Sempre quis morar fora, conhecer outras culturas. Estava num momento em que queria aprender coisas novas, depois de trabalhar sete anos como ilustrador freelancer em São Paulo”, conta.



“Alone together” utiliza a magia da natureza para ensinar palavras antônimas em inglês. Um pesado rinoceronte é “sturdy”, uma colorida borboleta é “fragile”; um papagaio engaiolado é “captive”, solto, é “free”.



Em “Free the lines”, composto apenas de ilustrações, um barquinho de pesca luta contra um navio enorme e predatório. “Liberdade é um tema que me toca muito, por isso geralmente acaba entrando nas histórias que faço. Também gosto de brincar com uma rebeldia benigna, algo que anime o espírito crítico do leitor de uma forma divertida”, revela.



A história da gestação dos livros é tipicamente londrina, combinando acaso, iniciativa e cultura. “Estava vendendo ilustrações no State of Independente Market, feira de verão que acontece no Hackney Downs Studio, quando o editor da Words & Pictures resolveu passar por lá. Ele gostou dos trabalhos e perguntou se eu tinha alguma ideia para fazer um livro infantil”, relembra.



Na hora, Clayton não tinha nenhuma. Mas pensou rápido e disse que teria em duas semanas: “Levei minhas ideias para uma reunião e eles gostaram. A partir daí, levei um ano desenvolvendo os livros”.



O curitibano começou a trabalhar como cartunista cedo, quando tinha 17 anos. Aos 21, ganhou um concurso de ilustração da Folha de S.Paulo, pontapé que impulsionou sua carreira. “Comecei a publicar no jornal e em várias revistas, e trabalhei como designer na MTV. Ao mesmo tempo estudava artes plásticas na USP (Universidade de São Paulo)”, diz.



Em Londres, Clayton também vive de sua arte: “Faço ilustração, design de animação e agora livros infantis e quadrinhos. Minha primeira graphic novel, ‘Ma Vie de Loup’, será lançada na França em setembro”.



Pelo fato de apresentar palavras opostas em inglês, “Alone together” pode ser utilizado por crianças que estão se alfabetizando no Reino Unido. “Mas filhos de amigos de várias cidades do Brasil curtiram o livro para aprender palavras em inglês”, acrescenta.



Como não tem nenhuma palavra, “Free the lines” é indicado para qualquer idade. “Os pais podem contar a história para os filhos ou eles mesmos podem ‘ler’ sozinhos”, sugere Clayton.



Os livros podem ser encontrados em vários locais da cidade, como lojas da Tate Modern e British Library. Além disso, estão disponíveis on-line na Amazon e AbeBooks.



Dicas do ilustrador



“Quem curte quadrinhos em Londres não pode deixar de conhecer a Gosh, loja especializada no Soho. Se estiver sem grana, o melhor é pegar quadrinhos e graphic novels das bibliotecas públicas, principalmente as mais centrais. Sempre tem uma seção dedicada a elas, às vezes pequena, mas sempre se acham coisas boas.



Fãs de artes gráficas têm que ir no V&A Museum, no London Transport Museum e na seção de Prints and Drawings do British Museum. Se quiser ir mais longe, há o London Transport Museum Depot, onde é preciso agendar visita com antecedência”.