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25 de Abril: ​Palácio Baldaia reabre portas ao público

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Palacio

Foto Reprodução



(LONDRES) Susana Raposeiro -  Em  25 de Abril, o edifício setecentista reabriu o jardim fechado há 100 anos ao público. Em setembro abre em pleno. Já em julho, abrem a cafetaria, a sede do Qualifica e a biblioteca (recheada com uma doação de 13 mil livros do Sindicato dos Seguros e outra, de 18 mil, do Diário de Notícias) e várias salas multifunções.


Comemorando a “Revolução dos Cravos” a festa de inauguração dos jardins presenteou os presentes com concertos da Orquestra Geração, as Novas Vozes de Abril e do intérprete da canção-senha E depois do Adeus, Paulo de Carvalho.

O palco do jardim Baldaia é a antiga plataforma das máquinas de ar condicionado, com um deck de madeira. Há árvores centenárias no espaço e o vogal da junta de freguesia chama a atenção para dois arbustos que, mercê das muitas podas a que foram sujeitos, "são como bonsais". Chamam-se Euohymus japonicus, explica o engenheiro agrónomo do projeto, Flávio Barros. Defende que sejam classificados como arbustos de interesse público.


Os dois lagos do jardim estão a funcionar, com carpas e tartarugas, e um caminho de calçada emoldura a entrada na casa. Respeitaram-se os canteiros que já existiam, delimitados por aço corten. Brita espalhada desenha os caminhos. Tem entre cinco e dez centímetros de altura, o suficiente para ser confortável pisá-la, explicam os responsáveis da obra. Ricardo Marques conta que defendeu a relva, "mas este é um jardim sombrio, seria uma manutenção morosa". Além disso, justifica, "é um jardim de fruição".


Esta foi a casa de Maria Joana Baldaia, primeira proprietária, no século XVIII. O palácio chegou a ser um hotel, detalha Ricardo Marques, a partir da escassa informação que existe. "Alguns apontamentos interiores serão, aliás, da época em que o palácio funcionou como Hotel Mafra." Será desse tempo a escultura de bronze que está na escadaria.


No século XIX há referências já não como Hotel Mafra, mas como hospedaria. Passa por várias mãos durante 20 anos, e em 1913 passa para o INIAV [Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária]. O Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), que saiu já em 2017 e cujo nome ainda está numa das entradas, foi construindo anexos. O seu destino é serem demolidos, o terreno loteado e vendido para construção. Estão previstas duas torres de habitação e um jardim público ao centro. Ricardo Marques espera que se preservem "as muitas espécies e árvores que aqui existem e que dão alguma particularidade ao recinto".


"É um jardim praticamente do mundo", diz Flávio Barros. "Porque os investigadores iam para a Guiné, Angola... traziam espécies com eles, foram plantando, a coisa deu certo", explica, apoiado nas leituras que fez enquanto estudou o projeto.

A arquiteta responsável pela recuperação do palácio, Catarina Subtil, explica que "a ideia sempre foi levar o edifício para a rua e a rua para o edifício, fazendo ligação com o jardim que esteve fechado durante cem anos". A obra completa deverá custar cerca de 400 mil euros e o prazo de conclusão está apontado para setembro, com a abertura de 16 espaços de cowork (trabalho partilhado) nas águas-furtadas do edifício. 


Para ser ocupada é preciso lançar concursos. Podem ser espaços para criativos da áreas dos jogos, startups, mas o programa ainda não está fechado, segundo o dirigente da junta de freguesia.