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​Odebrecht confirma pagamento de caixa 2 para chapa Dilma-Temer em 2014

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Foto Reprodução/ Marcelo Odebrecht foi condenado a 19 anos de prisão  


(RIO DE JANEIRO) Por Denis Kuck - O empresário Marcelo Odebrecht, preso desde junho de 2015 pela Operação Lava Jato e condenado a mais de 19 anos de prisão, confirmou em depoimento prestado à Justiça que parte dos 150 milhões doados pela empreiteira Odebrecht para a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer foram repassados via caixa 2. A informação foi obtida pelo jornal O Estado de São Paulo.



O depoimento faz parte de ação movida pelo PSDB que pede a cassação da chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).



Um dos motivos de parte do repasse (R$ 50 milhões) seria uma contrapartida pela votação de medida provisória que beneficiou a Braskem, braço petroquímico da Odebrecht. As negociações, segundo o empreiteiro, foram feitas diretamente entre ele, o publicitário do PT Santana e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.



Além disso, Marcelo Odebrecht teria confirmado ter se reunido com o então vice-presidente Michel Temer durante tratativas para a campanha eleitoral de 2014, mas negou ter acertado diretamente com o peemedebista um valor para a doação de R$ 10 milhões ao PMDB.



De acordo com o empresário, as tratativas para a doação foram feitas entre o atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o então executivo da empreiteira Cláudio Melo Filho, que tinha mencionado o pagamento de R$ 10 milhões para o PMDB em sua delação premiada.


Marcelo Odebrecht admitiu que parte dos pagamentos pode ter sido feita via caixa 2. Padilha já tinha sido citado pelo ex-assessor presidencial José Yunes como o intermediário nos repasses de propina.


Chapa pode ser cassada

O ex-presidente da Odebrecht relatou ainda que o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, teria lhe pedido R$ 15 milhões no final do primeiro turno da campanha eleitoral de 2014.



Caso o TSE considere que realmente houve abuso de poder econômico, Temer perderia o mandato e Dilma ficaria inelegível. Neste caso, ocorreria uma eleição indireta para presidente no Congresso. Não há prazo para a decisão do TSE.