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Planos para Brexit confirmam saída de mercado comum

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 “Vamos deixar a União Europeia, mas não deixaremos a Europa”, disse a primeira-ministra Theresa May/ Foto: Reuters

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(LONDRES) Da redação - Era perto do meio-dia da terça-feira (17), quando o mundo todo esperava ansioso pelo tão aguardado discurso da primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou que o Reino Unido abandonará o Mercado Comum Europeu. “Estamos deixando a União Europeia (UE), mas não estamos deixando a Europa”, disse a líder.

“Buscamos uma nova e justa parceria” com o bloco, complementou ela. May explicou que não faria sentido ser um “membro parcial” da UE ou adotar qualquer outro acordo que deixasse o Reino Unido “metade dentro e metade fora” do bloco, pois dessa maneira, afirmou a chefe de governo, o país “definitivamente não estaria” abandonando a UE.

“O Reino Unido está deixando a União Europeia e o meu trabalho é garantir o melhor acordo para nós”, acrescentou a primeira-ministra. May prometeu ainda conseguir um “comércio independente” com países europeus e novos pactos com nações do restante do mundo.


Num dos momentos mais importantes de sua fala, a primeira-ministra lembrou que o Parlamento terá que aprovar o acordo final, celebrado entre Reino Unido e bloco europeu sobre o Brexit. A justiça britânica decidiu recentemente que qualquer decisão deve passar pelo Legislativo, o que foi considerado uma derrota para o governo.

Especialistas dizem que as negociações serão duras e demoradas. O Partido Trabalhista alertou para “os enormes riscos” existentes nos planos de May.


UK vai controlar fronteiras e entrada de imigrantes


Em outro momento importante de seu discurso, a líder anunciou que a área de livre circulação com a Irlanda será mantida. Além disso haverá um controle maior da imigração entre Europa e Reino Unido. A questão dos imigrantes é um dos pontos mais sensíveis atualmente no país e foi decisivo na vitória do “Não” no referendo de 2016.

Para sair do bloco, o Reino Unido terá que invocar o Tratado de Lisboa, o que acontecerá possivelmente em março. Por meio dele, é dado um prazo de dois anos para negociações da saída de um estado-membro da União Europeia, período em que o país e o bloco terão para consumar o divórcio escolhido pelos eleitores britânicos no ano passado no referendo.

May disse ainda que não era sua intenção prejudicar a UE ou o mercado comum, mas alertou para uma punição reativa por parte do bloco em função do Brexit. A líder disse que isso causaria danos aos próprios países da Europa e não seria um gesto de amizade. Com uma fala dura, ela argumentou que “é melhor nenhum acordo do que um acordo ruim para o Reino Unido”.

Além dos trabalhistas, outros grupos políticos criticaram a posição do governo britânico. O líder do Partido Liberal, Tim Farron, disse que o Brexit, proposto por May, era muito “duro” e que quase metade da população do país não concorda com ele. “Cortar-nos do mercado comum é um golpe na democracia”, disse.