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Cultura

Brasil chega à televisão britânica por Magnífica 70

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Foto C. Lebelem/ Vivendo no Reino Unido há mais de um mês, Simone já pensa em outros passos na carreira


(LONDRES) Por Cristiane Lebelem, Denis Kuck e Luiza Munhos - A série brasileira “Magnífica 70” chegou à segunda temporada no Brasil em outubro, quando foi ao ar também em toda a América Latina. Ambientada na Boca do Lixo paulistana, a obra é produzida pela HBO, que tem no currículo sucessos como “Mandrake” e “Filhos do carnaval”.

Recentemente lançada no Reino Unido, a série tem ganhado o gosto popular por aqui, e não por acaso, também a protagonista Simone Spoladore conquistou os olhares britânicos pelo sucesso da produção.



Morando na cidade de York, ao norte da Inglaterra, por um temporada, Simone tem visitado muitos outros lugares do Reino Unido em companhia de amigos. Em Londres, não passou despercebida pelas ruas como noticiou o Evening Standart.

Encantada com a Inglaterra e seus costumes, Simone recebeu a equipe do BN na cidade famosa pelo chá, York, para um passeio delicioso e esta entrevista que você confere com exclusividade.



NP - Magnifica 70 passa-se na época da Ditadura Militar, na sua opinião, é uma releitura do Brasil?

Simone - Conversei sobre isso quando começou a segunda temporada no Brasil. Achei que as pessoas teriam muito interesse em poder revisitar o passado de nossa História. Especialmente agora. A gente também faz arte para isso, para não esquecer de determinadas coisas que acontecem na nossa História. Para mim também foi importante pela aproximação de toda a história da Boca do Lixo, que eu não conhecia direito. Eu fui assistir a filmes daquele período e descobri coisas bem interessantes. Coisas muito únicas. Tem muita riqueza nisso tudo.



NP - Esta temática traz novamente Nelson Rodrigues, um crítico do moralismo brasileiro à cena?

Simone - Sim, isso é muito Nelson Rodrigues. Eu tive de estudar, assisti a muita pornochanchada. E quando a assisti, achei interessante, porque descobrir a força das atrizes deste cinema. Muito talentosas. A presença delas em cena é algo muito interessante de ver. São artistas de alma se desnudando para o mundo. A Dora (personagem de Simone na trama), como colegial, é puro Nelson Rodrigues. É um universo um pouco proibido. Nelson expõe muito nossas contradições, nosso lado meio escuro. E isso a gente tem em “Magnífica 70” também.


NP - E essa é uma fórmula, na sua opinião como atriz, que garante o sucesso? Trazer o moralismo para ser visto e discutido?

Simone - Eu acho que é superinteressante por isso.A Dora, por exemplo, é interessante por isso, porque ela tem um lado todo luminoso e um lado bem escuro. Ela é uma bandida, matou um homem para salvar os amigos, mas tem um lado luminoso nela. Ela se apaixona pela ideia de ser atriz, ela se apaixona pelo cinema, e ela realmente encontra nisso uma vocação para a vida dela. É claro que depois a vida dela não é tão simples. Ela vai lidar com as contradições do que ela foi fazendo ao longo da vida, mas ela realmente tem a alma de artista.


NP - E como é fazer cenas de nudismo?

Simone - É algo natural. E eu acho que essas cenas são importantes para contar uma história. Não teria como fazer a Boca do Lixo sem essas cenas. São dias especiais de filmagem, a gente cuida muito para fazer tudo com muito profissionalismo.


NP - Você considera que este é um marco na sua carreira?

Simone – Eu considero por vários motivos. É uma série feita para a televisão, mas feita por uma equipe de cinema. Então, é como se estivéssemos fazendo vários filmes. Isso eu acho incrível. Também porque essa série está passando em toda América Latina, também nos Estados Unidos, e aqui no Reino Unido. Isso é novo para mim. Os filmes que eu fiz já rodaram pelos festivais do mundo, mas aqui, a série está passando na TV. E está passando sem dublagem, com legenda em inglês, e isso é muito importante para mim como atriz, porque respeita o nosso acting. E eu estou aqui estudando inglês por causa da série. Me inspirou totalmente.


NP - Ou seja, além de “Magnífica 70” ser um marco na sua carreira também pode ser um turning point para você?

Eu acho que sim. Eu quero muito trabalhar aqui e estou estudando e trabalhando para isso. Pretendo ficar aqui no Reino Unido o máximo de tempo possível. Mas eu estou e sigo engajada em “Magnífica 70” também.



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Foto C.Lebelem/ Na companhia do escritor e consultor literário James McSill, Simone nos encontrou em York para um bate-papo


Destaque no Reino Unido


Adorada pelo público britânico, “Magnífica 70” também ganhou espaço da imprensa com críticas à altura das melhores produções. O diário Evening Standard mostrou em suas página que a série é um grande sucesso entre o público britânico.



O jornal The Guardian disse que “Magnífica 70” é um encontro entre “Mad Man” e “Boogie Nights” (um clássico americano sobre aventuras de um jovem na indústria pornográfica). Numa crítica elaborada, o jornal britânico disse que a série tem fluidez visual que atrai o público, e que o roteiro possui uma ironia dramática raramente encontrada nas séries originais do Reino Unido.


Para o The Independent, “Magnífica 70” é uma série muito inteligente especialmente porque consegue costurar o mistério, a libertação sexual e a repressão política numa trama bem estruturada e interessante.


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Destaque no Reino Unido

Adorada pelo público britânico, “Magnífica 70” também ganhou espaço da imprensa com críticas à altura das melhores produções. O diário Evening Standard mostrou em suas página que a série é um grande sucesso entre o público britânico.

(imagem JORNAL THE GUARDIAN)

O jornal The Guardian disse que “Magnífica 70” é um encontro entre “Mad Man” e “Boogie Nights” (um clássico americano sobre aventuras de um jovem na indústria pornográfica). Numa crítica elaborada, o jornal britânico disse que a série tem fluidez visual que atrai o público, e que o roteiro possui uma ironia dramática raramente encontrada nas séries originais do Reino Unido.


Para o The Independent, “Magnífica 70” é uma série muito inteligente especialmente porque consegue costurar o mistério, a libertação sexual e a repressão política numa trama bem estruturada e interessante.






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Imagem: The Guardian





Nova temporada no Brasil


A série foi lançada no Brasil em 2015 e em 2016 exibe a segunda temporada, que tem 10 episódios. No enredo, a produtora Magnífica está passando por um momento conturbado, com os membros sendo chantageados a participar de um esquema de corrupção que envolve a Embrafilme. Na trama, o drama também ganha contornos das disputas entre ego e angústias dos personagens, que vivem no contorno de uma ética forçada pelo ambiente do Regime Militar brasileiro e costumes da época.


Polo cinematográfico das pornochanchadas brasileiras

Boca do Lixo é uma região da cidade de São Paulo, localizada no bairro da Luz, que concentrava um polo cinematográfico, surgido nas décadas de 1920 e 1930. A Boca ficou caracterizada pelos filmes baratos, com forte apelo sexual, entre eles as famosas pornochanchadas.

Enquanto são obrigados a ajudar contraventores, membros da Magnífica tentam livrar-se da chantagem. Pressionada pelo delegado Santos (Felipe Abib), Dora (Simone Spoladore) volta à produtora para tentar desvendar quem matou Larsen (Stepan Nercessian) e vive um grande dilema. Marcos Winter (Vicente), Adriano Garib (Manolo) e Maria Luisa Mendonça (Isabel) também retornam ao elenco.


Criada a partir de roteiro escrito por Toni Marques, “Magnífica 70” foi concebida por Cláudio Torres, Renato Fagundes e Leandro Assis. A série é dirigida por Torres e Carolina Jabor. A produção retrata o universo dos filmes feitos na Boca do Lixo, além da relação do local com órgãos de censura durante a Ditadura Militar na década de 70. A primeira temporada passava-se em 1973, enquanto na segunda há um salto de um ano no tempo.