6 °C
Comunidade

Enfermeira portuguesa é premiada em Londres

|

(LONDRES) Por Susana Raposeiro - Raquel é um “exemplo” para os britânicos. Emigrada no Reino Unido há cinco anos não pondera voltar para Portugal, mesmo com o resultado do referendo. A enfermeira senior trabalha nos cuidados intensivos neonatais de um grande hospital pediátrico no centro de Londres — o Evelina London Children's Hospital —, onde conseguiu especializar-se na sua área de eleição, com o aval e o financiamento da instituição, e, cereja em cima do bolo, acaba de receber um prémio que resulta do seu esforço. Quem nomeou Raquel para o “People Award” foi os pais de uma bebé prematura que não esqueceram o cuidado “excepcional” com que tratou e acompanhou Catherine, assim se chamava a menina nascida com apenas 25 semanas.



“Raquel é o exemplo de tudo o que é maravilhoso no NHS (Serviço Nacional de Saúde inglês)”, declarou a representante da Greater London Lieutenancy na cerimónia de entrega do prémio da Guy’s and St Thomas’ Charity (que integra, entre outros, o hospital pediátrico onde trabalha a portuguesa).



Catherine sobreviveu 48 dias. Nos últimos três, a enfermeira portuguesa não largou a menina e mudou mesmo de turno para poder estar ao pé dos pais até ao fim. “Quando ela morreu, Raquel sentou-se pacientemente connosco e ajudou-nos a dar-lhe banho e a vesti-la. Foi atenciosa, prestável, calma e compreensiva, apoiou-nos num momento pelo qual nenhum pai deveria passar”, descreveu a mãe de Catherine, num relato emocionado.



"Ela não podia fazer mais nada por nós”, frisou. Reservada, Raquel acredita que apenas fez o que devia: “Pensei que eles mereciam todo o apoio, tendo em conta as circunstâncias em que se encontravam. Mudei de turno não porque eles tenham pedido, mas porque achei que precisavam de alguma continuidade naquela situação."



Enfermeiraraquel

Foto: Reprodução / Raquel Martins Pina foi premiada por seu trabalho no Evelina London Children's Hospital



Raquel deixou Portugal há cinco anos pois os poucos trabalhos que encontrava em Portugal não eram pagos ou o que lhe ofereciam não passava do salário mínimo nacional. Recém-licenciada, tudo o que conseguiu por lá foi um emprego de três meses na Linha de Saúde 24.


Hoje no Evelina London Children's Hospital divide os turnos com colegas do mundo inteiro. São cerca de duas centenas de enfermeiros, desde portugueses a espanhóis, australianos, filipinos. O "Brexit" deixou-os a todos assustados, no início, mas agora a situação acalmou. Quando o resultado do referendo foi conhecido, "em Londres foi um grande choque”, recorda Raquel, enquanto admite que se sentiu "um pouco apreensiva". Mas hoje está convencida de que terá sempre trabalho no Reino Unido e, mesmo que venha a precisar de visto, tem a certeza de que o seu emprego está garantido. "A minha chefe disse-me que não tinha que me preocupar."