6 °C
Mundo

Acordo entre governo colombiano e Farc entra em vigor

|

(LONDRES) Com Agência Brasil - Após ser aprovado pelo Congresso, acordo entre o governo da Colômbia e as Farc, que coloca um fim a mais de 50 anos de conflito armado, entrou em vigor na quinta-feira passada. Rebeldes das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia têm 150 dias para entregar todas as armas às Nações Unidas.


O presidente Juan Manuel Santos afirmou que o início da aplicação do acordo era o Dia D para a Colômbia, encerrando 52 anos de violência, que resultaram na morte de mais de 200 mil colombianos e no deslocamento de mais 6 milhões. Santos ganhou o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para negociar o desarmamento do grupo guerrilheiro mais antigo da América Latina.


A construção do acordo demorou quatro anos e foi mediado por Cuba. As negociações ocorreram em Havana. O primeiro pacto, assinado pelas Farc e o governo, foi levado a um plebiscito, mas a população da Colômbia rejeitou o texto.

Após a votação, guerrilheiros e governo voltaram à mesa de negociação e construíram novo acordo. A nova versão é menos tolerante com os rebeldes, como pediam críticos do pacto inicial.




161124 01 FirmaNuevoAcuerdoPaz

Foto: (César Carrión/SIG) / Presidente da Colômbia ganhou Nobel da Paz por ter sido um dos incentivadores do acordo com as Farc

 



Pacto menos tolerante



O segundo acordo manteve a promessa feita aos guerrilheiros de que poderiam formar partido político, disputar eleições e ocupar cargos públicos. A oposição, liderada pelo ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe, queria que o documento fosse submetido a novo plebiscito, mas Santos decidiu enviá-lo à aprovação do Congresso, onde o governo tem maioria.


Além do desarmamento das Farc, o acordo prevê erradicação dos cultivos de drogas ilegais, que financiavam atividades guerrilheiras depois da queda do comunismo no Leste Europeu, e programas sociais para integrar mais de 6 mil rebeldes à sociedade civil.


Opositores ao acordo argumentavam que a Colômbia gastaria uma fortuna num momento de desaquecimento da economia. O tema fará parte dos debates nas eleições do próximo ano.