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O que é urgente para você?

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Ilustração da internet



(CURITIBA - Brasil ) Por Alloyse Boberg - A urgência dos dias, num fôlego incessante para cumprir “coisas” parece um estado de loucura sem-fim. “O dia está corrido” ou “a vida está com pressa” são frases que se escuta de quase qualquer pessoa em vida profissional ativa.


Até mesmo àqueles que ainda não têm agenda profissional, como as crianças, parecem estar estafados ou ainda quem deveria descansar, sente certa correria. Bom, ter o que fazer é um senso comum entre as pessoas na atualidade.


Parte desse discurso da vida estafada está no próprio discurso. Quanto mais possibilidades existem de evolução de desenvolvimento tecnológico (que, de forma geral, facilitam a vida) mais haverá possibilidade de se ter o que fazer. Para exemplificar isso contarei uma história de quando comecei no jornalismo (uns 17 anos atrás).


Lembro-me (vou mudar a pessoa no texto - de terceira do singular para primeira do singular, porque como sou a dona do blog me permito fazer isso) quando entrei numa redação pela primeira vez. O fax era o instrumento mais desejado da época. Já existia internet, claro, mas, não havia banda larga. Então, como estagiária, era escolhida para pegar o fax da Reuters, que trazia notícias internacionais.


Literalmente, em determinada hora do dia, eu ficava ao lado do fax e esperava a notícia chegar. Parecia um milagre aquela máquina imensa, cuspindo informações que vinham do outro lado do mundo. Sei que essa história soa bizarra. Atualmente, a notícia é feita de qualquer lugar por celular ou pessoa.


O que quero dizer com isso é que o modelo de se comunicar mudou mais em 20 anos do que em 20 séculos, e isso faz com que se tenha de fazer adaptações em relação à própria comunicação. Talvez, a primeira delas é entender o que é urgente.


“Quando se tem pessoas lhe acionando pelo Whats, Facebook, telefone, celular, pela intranet da empresa e mais algum aplicativo, que deve existir, a vida torna-se URGENTE! Tudo parece chamar a atenção imediatamente”. O fato é que reagir a todos esses impulsos deixa qualquer pessoa louca. Afinal é como se nós passássemos boa parte do dia dando respostas. E, não quero parecer mais louca ainda, mas é isso mesmo o que está acontecendo.


Então, lidar melhor com a urgência é um aprendizado (meu, inclusive) para lidar com as novas possibilidades de comunicação, e se fizermos esse ajuste é possível ter mais tempo para resolvermos o que for preciso.


Depois, acredito também que há um discurso muito ruim no ar de que está tudo muito difícil e pesado. Minha avó conta uma história muito interessante que repasso adiante. Ela diz que quando era mocinha, percorria quatro quilômetros a cavalo para dar aulas, embaixo de sol ou chuva. Já pensou fazer isso uns cinco anos de sua vida, sem reclamar?



Time

Ilustração da internet; / “Quando se tem pessoas lhe acionando pelo Whats, Facebook, telefone, celular, pela intranet da empresa e mais algum aplicativo, que deve existir, a vida torna-se URGENTE! Tudo parece chamar a atenção imediatamente”.



Hour glass

Ilustração da internet




Na época da minha avó era natural montar em cavalos. Então, tenho uma teoria de que ao tornar a vida mais fácil, às vezes, não se percebem os benefícios. Por exemplo, não precisamos andar a cavalo, mas se temos carro reclamamos do trânsito. Se não temos carro, reclamamos do ônibus. Se temos trabalho, reclamamos. Se não temos, reclamamos. Talvez seja necessário observarmos melhor o momento para avaliarmos o que é que de fato atrapalha nosso dia. Para entendermos isso, não basta classificar “isso é urgente, isso não é”.


É preciso parar mesmo, observar o que é urgente para o nosso coração, nosso momento, nossa vida, nossa alegria. Uma sintonia que exige presença e não urgência para lidar melhor conosco e, simplesmente, deixar o urgente para quando realmente for urgente.


Então, pergunto: “O que de fato é URGENTE para você?”



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Alloyse Boberg atuou como jornalista durante quase 15 nos como editora-chefe e também editora-executiva de grandes emissoras de televisão no Brasil. Atualmente é consultor em comunicação e diretora da DNA Comunicativo, uma empresa expert em comunicação interpessoal. É mestre em Linguística, estudos em Coolhunting, blogueira e apresentadora do programa "Simples Assim", da rádio Alma Londrina.

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