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Mariana: um ano do maior desastre ambiental da História brasileira

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Foto: Secom/ES - Em 5 de novembro de 2015, barragem da Samarco rompe-se e mar de lama invade Rio Doce



(LONDRES) Da redação


No sábado (5), a tragédia de Mariana (MG), na qual a barragem da mineradora Samarco se rompeu, causando enorme desastre ambiental, completou um ano. É importante relembrar o que ocorreu, para que os responsáveis sejam punidos, as vítimas indenizadas e a região do Rio Doce, recuperada.

Na semana passada, Michel Temer realizou reunião no Palácio do Planalto para avaliação das medidas adotadas no município mineiro. Dentre os presentes, estavam os governadores de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, além de ministros e diretores da mineradora Samarco (cujas detentoras são a Vale e a BHP Billiton), empresa responsável pela Barragem de Fundão.


A Samarco informou que está atuando na construção de novas barragens e diques e na recuperação de afluentes da Bacia do Rio Doce e afirmou que entregou 131 imóveis a moradores no município do Barra Longa. Ao todo foram gastos nas ações R$ 1,1 bilhão, segundo a empresa.


A presidência da república informou que a reunião serviu para avaliar o atual estágio das medidas de recuperação socioambiental da região e não deu mais detalhes.

A barragem desabou no dia 5 de novembro de 2015, atingindo o distrito de Bento Rodrigues. A lama percorreu o Rio Doce, passando por mais de 40 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo. Dejetos chegaram até o mar do litoral capixaba.



ONU diz que resposta é insuficiente



Poucos dias depois do encontro, no entanto, a ONU divulgou comunicado, afirmando que as medidas tomadas por autoridades e empresas envolvidas "não correspondem à dimensão do desastre e às consequências socioambientais, econômicas e de saúde." A nota é assinada por especialistas em saneamento básico, direitos humanos, direitos de povos indígenas e saúde pública. De acordo com a Organização das Nações Unidas, cerca de 6 milhões de pessoas afetadas pela tragédia continuam sofrendo.



Especialistas afirmam que o governo não providenciou provas de que a água dos rios da região pode ser usada para consumo humano. O documento critica também a falta de providências em relação à situação das comunidades indígenas e ribeirinhas e menciona denúncias de que defensores dos direitos humanos estão sendo perseguidos na região.


Para representantes da ONU, os esforços das empresas Samarco, Vale e BH Billiton para deter vazamentos de lama foram insuficientes. A nota diz ainda que este é o momento de "redobrar todos os esforços."