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Estamos vivendo uma nova Guerra Fria?

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Foto: Jim Garamone / A queda do Muro de Berlim marcou o início de uma nova era. Será?



(LONDRES) Por Denis Kuck


Quem tem mais de 30 anos com certeza se lembra do clima de rivalidade entre os Estados Unidos e a União Soviética. Quem é mais novo, conheceu a disputa entre os dois países por meio de filmes e livros de história.

Mas será que estamos vivendo uma Nova Guerra Fria? Artigo publicado recentemente pelo jornalista Jonhatan Marcus, da BBC, afirma que período atual entre as duas potências é o pior desde o fim da Guerra Fria, em 1991.

Estados Unidos e Rússia estão envolvidos no teatro de operações da Guerra da Síria, conflito que já dura cinco anos e do qual fazem parte múltiplas forças e países. O governo dos EUA considera um “massacre” a ofensiva síria e russa na cidade de Aleppo e denuncia crimes de guerra.


Embora Washington e Moscou estejam contra o grupo terrorista Estado Islâmico, o Kremlin apoia o ditador sírio Bashar al Assad, enquanto a Casa Branca pede uma transição de poder.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, disse que os EUA preferem impor suas opiniões ao invés de conversar. Mesmo assim, os dois países continuam conversando para resolver o conflito, pois sabem que têm um importante papel em um acordo final.

Não podemos esquecer também a guerra no leste da Ucrânia, que colocou de lados opostos rebeldes identificados com a 

Rússia e ucranianos com uma visão mais europeia.


Vladimirputin


Erro de estratégia americana


O artigo da BBC ressalta que “ninguém sabia como as coisas aconteceriam, mas sabia-se que o fim da Guerra Fria traria consigo uma nova era”. Durante um período, a Rússia ficou muito enfraquecida, mas agora retomou poder e procura se firmar como um bloco anti-Ocidental.


Segundo Paul Pillar, pesquisador do Centro de Estudos sobre Segurança da Universidade de Georgetown e ex-agente da CIA (o serviço secreto americano), foi o Ocidente que cometeu o primeiro erro.

"Essa relação começou a piorar quando o Ocidente não tratou a Rússia como um país que tinha se livrado do comunismo soviético. O país acabou sendo considerado sucessor da União Soviética, herdando inclusive o status de principal foco de desconfiança do Ocidente”, disse Pillar para a BBC.


Para piorar a situação, houve uma expansão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que admitiu países como Polônia, República Tcheca e Hungria, com longa tradição nacionalista e de luta contra o regime de Moscou,

Além disso, foram acrescentados países bálticos como Lituânia, Estônia e Letônia, que faziam parte da antiga União Soviética.

A BBC resume: “A Rússia acredita que foi tratada injustamente desde o fim da Guerra Fria. Por outro lado, o Ocidente acusa o revanchismo russo e ataca o presidente Putin.

Em 2014, às vésperas da Rússia anexar a região da Crimeia, na Rússia, Putin advertiu: "Se você comprime uma mola até o limite máximo, ela voltará com força na direção contrária. Lembrem-se sempre disso."

Em entrevista para a BBC, John Sawers, ex-chefe do MI6 (serviço secreto britânico) e ex-embaixador britânico nas Nações Unidas, disse que o Ocidente não deu atenção suficiente ao estabelecimento de uma relação estratégica correta com a Rússia.

"Se houvesse um entendimento claro entre Washington e Moscou sobre as normas que devem ser adotadas - para que um país não prejudique o outro - a solução de problemas regionais como Síria, Ucrânia ou Coreia do Norte poderia ser mais simples", afirmou à BBC.


Competição por influência


O artigo afirma não acreditar que EUA e Rússia estão à beira de um conflito, mas se pergunta “por que existe a ideia de que estamos entrando num novo período de Guerra Fria?

O ex-agente da CIA Paul Pillar diz que esse não é o termo correto: "Não estamos vendo o tipo de competição ideológica que caracterizou a Guerra Fria e felizmente já não temos outra corrida nuclear armamentista".

"O que resta é uma grande competição por influência. A Rússia é uma potência menos expressiva do que foi a União Soviética e do que a superpotência que os EUA ainda são", complementou.

As peças do tabuleiro estão sobre o mapa. Resta saber agora como serão os próximos passos de Rússia e EUA.