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Saúde

O que pode ou não comer durante a gravidez?

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Foto: Reprodução / As alterações no corpo com 4 semanas de gestação



BNNP743 Familia Gravidez


(LONDRES) Por Carmen Rey

carmenbr@yahoo.com.br


Depois de procurar o GP e dar início ao pré-natal, outro passo muito importante no início da gravidez é cuidar da saúde da futura mãe e do bebê, e a alimentação tem papel principal durante a gestação.


Não é necessário seguir uma dieta especial, mas é importante comer uma variedade de alimentos diferentes todos os dias para obter o equilíbrio certo de nutrientes de que gestante e bebê precisam.


É melhor obter vitaminas e minerais dos alimentos, mas quando se está grávida é necessário tomar alguns suplementos para ter certeza de obter tudo de que é preciso.


O ácido fólico, uma vitamina do complexo B, é especialmente importante, devendo ser tomado até antes de engravidar e nos três primeiros meses da gestação, pois a deficiência dele pode causar má-formação do tubo neural do bebê, que está começando a crescer e se desenvolver. Suplementos mais completos costumam ser receitados a partir do terceiro mês.


O corpo trabalha de maneira mais eficiente para ter certeza de que está extraindo o máximo de energia de tudo que a grávida se alimenta. Por isso, nada de “comer por dois”, pois nos primeiros seis meses da gravidez a maioria das gestantes não precisa comer mais do que já estava acostumada, ou seja, o equivalente a duas mil calorias diárias. Só nos últimos três meses se aconselha a aumentar 200 a 300 calorias a mais, o que equivale a duas fatias de pão integral com queijo cottage.


Fazer dieta durante a gravidez pode prejudicar o bebê e a gestante também. É bom lembrar que engordar faz parte do processo. Mulheres, que comem bem e engordam o recomendável, têm mais probabilidade de ter bebês saudáveis.


Grávida pode comer quase tudo, mas existem alguns alimentos que devem ser evitados, pois podem prejudicar o bebê ou a futura mãe. Aí vão eles:


  • Queijos moles de casca branca, como brie e camembert, e com fungos, como gorgonzola e roquefort. É preciso também evitar os que são feitos com leite não pasteurizado, como o minas. Essa recomendação é por conta da possível presença de uma bactéria, que causa a listeriose - intoxicação alimentar causada por alimentos contaminados com a bacteria Listeriamonocytogenes. Queijos duros como cheddar e parmesão podem ser consumidos normalmente.

  • Patês também devem ser evitados por causa da listeriose.

  • Ovo cru ou malcozido, para não correr o risco de intoxicação por salmonela – doença transmitida através da ingestão de alimentos contaminados com fezes animais. Embora infectados apresentam aparência e cheiro normais.

  • Carnes cruas ou malpassadas, devido ao risco potencial de toxoplasmose - infecção causada por protozoário chamadoToxoplasma gondii, existente em alimentos contaminados ou pela transmissão mãe-filho, quando mulheres grávidas estão infectadas e não fazem o tratamento da doença. É bom cozinhar bem toda carne para ter certeza de que não há nenhum vestígio de sangue.

  • Carnes curadas, como salame, presunto parma, chouriço e pepperoni, muitas vezes não são preparadas, apenas curadas e fermentadas. Por isso, também podem conter parasitas causadores da toxoplasmose. É melhor verificar a embalagem antes de consumir.

  • Fígado e alimentos feitos à base dele, para evitar a sobrecarga de vitamina A, que pode ser prejudicial ao feto.

  • Peixes como cação, peixe-espada e tubarão, pois contêm altos níveis de mercúrio, podem afetar o desenvolvimento do sistema nervoso do bebê. O atum também pode conter mais mercúrio do que outros tipos e por isso deve ser limitado a uma lata ou dois filés frescos por semana. Os oleosos, como salmão, truta e cavala, também devem ser limitados a duas porções por semana, pois podem conter poluentes.

  • Peixes e frutos do mar crus, pois há risco de conter parasitas e causarem infecção. Se tiverem sido congelados antes não há problema em consumi-los.

  • Bebidas e alimentos com cafeína - café, chás e chocolate. Limite o consumo a no máximo 200 gramas por dia e, se possível, dê preferência às bebidas descafeinadas.

  • Bebidas alcoólicas. Especialistas não têm certeza da quantidade de álcool que é segura consumir durante a gravidez. Assim, a recomendação é suspender totalmente a ingestão.

Além disso, também é preciso lavar muito bem frutas, verduras e legumes para eliminar qualquer tipo de contaminação.


No site do NHS, sistema de saúde público do Reino Unido, há um guia completo de alimentação para as futuras mães. Vale a pena conferir http://www.nhs.uk/conditions/pregnancy-and-baby/pages/healthy-pregnancy-diet.aspx


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Carmen Rey é jornalista brasileira, grávida do seu primeiro bebê, que está vivendo a experiência da maternidade no Reino Unido.