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Dados mostram diferença salarial entre homens e mulheres no Reino Unido

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BNNP736 Reino Unido Diferenas Salariais

Foto: Luke MacGregor/ Reuters


(LONDRES) Por Patricia Blumberg


No ano passado, o Fórum Econômico Mundial havia previsto uma realidade desanimadora para as mulheres: será preciso esperar até 2080 para ver igualdade de gênero no mercado de trabalho em todo o mundo. Estatísticas mostram que a desigualdade de gênero, da qual a diferença salarial faz parte, tem até diminuído na última década. No entanto esse decréscimo tem sido lento e irregular.


O assunto voltou à tona após divulgação de dados do Institute for Fiscal Studies (IFS) nesta semana. No Reino Unido, mulheres ganham em média 18% a menos do que homens, destacando que será árduo o desafio da nova primeira-ministra, Theresa May, em diminuir a astronômica disparidade salarial de gênero.

O instituto também revelou que, após a chegada do primeiro bebê, a mulher ainda encara problemas como aumento salarial e oportunidade para subir na carreira. Segundo o instituto, chefes homens são 40% mais propensos que as mulheres a receber uma promoção no trabalho.


Theresa May afirmou durante coletiva de imprensa na segunda-feira (23) que trabalhará para diminuir essa diferença. Segundo a primeira-ministra, a campanha “Britain that works for everyone” (“Reino Unido que funcione para todos”, em tradução livre), que faz parte de sua política de governo e que a alavancou como principal candidata para substituir David Cameron pós-Brexit, será amplamente incorporada para combater essas estatísticas.

“O Reino Unido precisa mudar a imagem ‘homem na frente, mulher atrás’. Preferimos outra imagem no ambiente de trabalho, a de ‘lado a lado’”, pontuou a primeira-ministra.


Em 1970, a lei equal Pay Act prometeu acabar com o desequilíbrio entre homens e mulheres no Reino Unido. Trabalho igual, salário igual. Desde então, 46 anos se passaram e ainda não engatou. Hoje, para cada 10 libras pagas aos homens, as mulheres recebem oito.

O IFS alertou, no entanto, que os dados podem ser considerados positivos se forem comparados com os últimos anos. Em 2003, a diferença salarial era de 23% e; em 1993, chegava a 28%.


Informe público



Vale ressaltar que empresas britânicas com mais de 250 trabalhadores serão obrigadas, a partir de 2018, a informar a diferença de salários e bônus entre funcionários e funcionárias. As novas regras devem atingir cerca de 8 mil empregadores no Reino Unido. As companhias terão que começar a calcular a diferença a partir de abril de 2017, 12 meses antes de as primeiras tabelas serem publicadas.

O objetivo do governo britânico é chamar atenção para o problema e dar às empresas, que tenham os piores indicadores, tempo para se adequarem e reduzirem a diferença antes de as informações virem a público.

As companhias terão ainda que informar quantos funcionários e funcionárias possuem em cada faixa salarial para mostrar em que níveis as diferenças são maiores.