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BNNP Entrevista Adelina Pereira

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Foto: Alex Fargier


(LONDRES) Da redação


Logo que se começou a falar que de fato o Reino Unido poderia deixar a Comunidade Europeia, Adelina Pereira foi uma das pessoas de nossa comunidade que trabalhou com encontros para ajudar os imigrantes da língua portuguesa a tirarem suas dúvidas sobre o tema, e a tocarem suas vidas em frente, mesmo diante de tantas incertezas, e de até certo modo medo, já que muita gente chegou a sofrer com o xenofobismo que se instalou pós-Brexit.

Com um olhar firme de quem já viveu muitas experiências, Adelina é uma das lideranças que está constantemente trabalhando para unificar a comunidade.


Nascida na Cidade do Cabo na África, foi em Portugal que aprendeu a língua e se tornou uma sebastianista. Acredita que compete lutar para que Portugal chegue ao seu pleno potencial através da sua diáspora. Adelina tem a alma digna de quem crê no desenvolvimento social, cultural, intelectual e também espiritual.

E foi com este estado de espírito que falou ao BNNP sobre sua visão que tem da vida do imigrante de fala português em Londres.


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BNNP - O que mais lhe marcou da experiência de viver aqui em Londres?

Adelina - A multiculturalidade, o mundo inteiro esta aqui representado. Londres não é a Inglaterra. Apesar dos recentes incidentes racistas e xenófobos após Brexit, eu penso que, de uma forma geral, a população londrina assume uma indentidade universalista. A Imigração e a participação na União Europeia sempre ajudaram muito neste sentido.


BNNP – Em suas andanças e experiências como imigrante, além da África e da Europa, também viveu no Canadá, onde experimentou o trabalho como jornalista de vários veículos comunitários. Que visão a senhora tem do mundo do imigrante e seus desafios?

Apesar de estarmos no século XXI, ainda existem muitos preconceitos a desmoronar entre os vários povos que constituem o universo lusófono. Entendo que existem muitas dificuldades em todas as partes, mas numa cidade como Toronto, a comunidade, em termos geográficos, aglomera-se em grupos muito próximos, o que facilita muito o dia-a-dia. Em Londres, o que vemos é que há varios polos que nao se comunicam entre si, os nossos imigrantes não se unem tanto por aqui.

O que constato é que o mundo lusófono ainda tem que andar muito. É por isso que apoio qualquer projeto que pretenda unir a lusofonia, contribuir para esta união. Penso que tais iniciativas são uma luz de esperança para o nosso futuro enquanto falantes de língua portuguesa.


BNNP – Então, na sua opinião, falta união para que o imigrante se integre melhor?

A comunidade poderia unir-se mais, associar mais os nossos negócios e empresas para ganhar maior força e visbilidade. Um dos maiores desafios que os nossos imigrantes no RU enfrentam é conseguirem considerar o país de acolhimento como o lugar onde pretendem se radicar e construir seus futuros e suas vidas.

É preciso apoiar e incentivar as nossas iniciativas e os nossos imigrantes a inovarem cada vez mais. E aqui, em Londres, necessitamos de novas lideranças, pessoas jovens e enérgicas que renovem e apoiem as necessidades da nossa comunidade.


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BNNP - Entre alguns dos seus feitos no seio da comunidade portuguesa de Londres, dos quais mais orgulha-se?

A minha breve contribuição para o projeto do Centro Comunitário Português de Apoio à Comunidade Lusófona numa fase particularmente díficil da sua implantação. Também a participação em campanhas eleitorais autárquicas, apelando ao voto e à particpação política da comunidade radicada em Lambeth como apoiante do Partido Trabalhista local. O meu contributo na elaboração do primeiro Manifesto Eleitoral em língua Portuguesa produzido em Lambeth.Outra coisa que me guardo com orgulho é a organização, em 2011, do seminário “Insularidades”, no Lost Theatre, enquanto elemento da Adiaspora.com, evento que congregou particpantes do Canadá, Açores, Madeira, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Moçambique e Portugal continental. E não posso esquecer de todo empenho, enquanto membro da Direção da Academia do Bacalhau de Londres, a organização do concerto “Amigos para Sempre” e o evento que marcou a sua oficialização, o qual congregou em Londres participantes oriundos de 15 países.