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Trump sugere aos proprietários de armas que detenham Hillary

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BNNP735 Mundo Trump

Foto: Reuters



(LONDRES) Da redação 



A campanha eleitoral dos Estados Unidos entra em um terreno perigoso. Em uma nova declaração potencialmente incendiária, o candidato republicano à Casa Branca Donald Trump insinuou na semana passada que os partidários do direito de usar armas de fogo poderiam deter a candidata democrata Hillary Clinton.



Não esclareceu como, mas seu comentário invocou o espectro da violência em um país onde circulam mais de 300 milhões de armas de fogo e onde o assassinato político é um trauma recorrente em sua história.


“Se ela conseguir eleger seus juízes, não haverá o que fazer, amigos”, disse Trump. Ele se referia à capacidade do presidente dos EUA de nomear os juízes do Supremo Tribunal. A teoria de Trump é a de que se Clinton vencer em novembro e nomear juízes progressistas, estes aboliriam a Segunda Emenda da Constituição, que garante o direito de portar armas.



O comentário de Trump, em um comício na Carolina do Norte, é ambíguo e incompleto, mas pode ser interpretado como um chamamento a algum tipo de ação contra sua rival nas eleições presidenciais de novembro, ou contra os juízes. Não seria a primeira vez que Trump convoca à violência, apesar de nunca tê-lo feito diretamente contra sua rival.

As palavras do candidato do Partido Republicano são suficientemente confusas para ficarem abertas à interpretação e permitirem a seu autor negar qualquer má intenção. Mas são um novo passo em uma campanha, que, com seus insultos, ofensas, comentários xenófobos e machistas e mudanças de tom, ultrapassou quase todos os limites conhecidos em tempos recentes.



Os Estados Unidos têm uma longa história de assassinatos políticos. Quatro presidentes foram assassinados. O último, John Kennedy, em 1963. Cinco anos depois, Bobby Kennedy foi assassinado em plena campanha para a indicação democrata à Casa Branca.



Com as últimas declarações de Trump, a pressão dos políticos republicanos para que repudiem seu candidato aumentará. Em plena queda nas pesquisas, Trump desafiou as previsões, alimentadas às vezes por pessoas à sua volta, de que se tornaria um candidato mais centrado.


Aconteceu o contrário: desde sua indicação em Cleveland como candidato, sua mensagem se tornou mais agressiva e imprevisível. E rompeu limites que poucos candidatos à Casa Branca tinham cruzado, como ameaçar romper com a OTAN, ofender a família de um soldado morto na guerra ou lançar mensagens confusas que podem incitar a violência.


Em uma mensagem na rede social Twitter, o Serviço Secreto – o corpo policial que protege os presidentes e os candidatos presidenciais, Trump incluído – escreveu: “O Serviço Secreto tem consciência dos comentários feitos esta tarde”.



Na rede de televisão CNN, o general aposentado Michael Hayden, ex-diretor da CIA e crítico de Trump, disse em referência a seus comentários: “Se outra pessoa tivesse dito isso fora do auditório, agora estaria na parte de trás de um camburão da polícia, sendo interrogado pelo serviço secreto”.