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Mulheres do Rio 2016: “futuro no esporte é feminino”

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Foto: Javier Soriano/AFP - Isabel Guialo em jogo de handebol pela Seleção da Angola na Olimpíada


(LONDRES) Da redação 


O recorde na participação feminina nos Jogos Olímpicos Rio 2016 ainda não colocou mulheres e homens lado a lado no pódio da igualdade. Elas são 45% do total de atletas, que participa da competição, somam 4,7 mil, um salto desde a primeira vez que competiram, em Paris (1900), quando eram apenas 22 num total de 977 atletas mundiais. Este ano, estreiam no rugby e no golf – modalidade reinserida nesta edição.

Frente aos resultados da primeira semana dos jogos olímpicos, no entanto, a vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), a marroquina Nawal El Moutawakel, ousou dizer que o futuro do esporte pertence cada vez mais às mulheres: “Não temos os números consolidados, mas os indicativos são de maior participação de mulheres em pelo menos 30 delegações, como as do Brasil, Angola e China, mostrando que o futuro no esporte e das Olimpíadas será feminino”.


A participação feminina em olimpíadas começou a crescer com o surgimento dos movimentos a favor das mulheres dos anos 1960, até chegar ao ápice nas últimas duas décadas, contrastando totalmente com a Grécia Antiga, período em que elas eram proibidas de participar da grande festa. Conta a lenda, por exemplo,que a guerreira Phereince (744 a.C.) teve que se vestir de homem para levar o filho Peisirodus aos jogos em Olímpia.





Mulheres de Angola dominam delegação há 20 anos

Na Angola, a participação feminina nas últimas duas décadas, desde a Atlanta (1996) tem sido superior à dos homens. Na estreia do país em jogos, em Moscou (1980), havia 1 mulher e 14 homens. O ápice da participação feminina ocorreu em Londres (2012), com 85% da delegação do sexo feminino. Na Rio 2016 são 17 mulheres e 9 homens.

"Em termos nacionais, os dirigentes sempre investiram mais nos esportes coletivos femininos em Angola, porque eles acham que dão mais retorno", afirma Filipe Cruz, treinador da Seleção Angolana de handebol feminino.

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Foto: EFE / Judoca Rafaela Silva, a primeira a subir ao lugar mais alto do pódio na Rio 2016 pelo Brasil.



Negra, pobre e Silva: primeiro ouro do Brasil na Rio 2016 vai para Rafaela

A judoca Rafaela Silva conquistou o primeiro ouro para o Brasil. Na final do judô, na categoria até 57 kg, ela venceu Dorjsürengiin Sumiya, da Mongólia, com um wazari. Rafaela (24) cresceu na comunidade carioca de Cidade de Deus, uma das mais emblemáticas do país. Sob o quimono, no bíceps direito, ela havia tatuado seu destino: "Só Deus sabe o quanto sofri e o que tive de fazer para chegar aqui". A atleta foi campeã mundial em 2013 e ganhou ouros nos Pans de Judô (2012-2013).