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Usando véu e calça, egípcias estreiam e entram para história olímpica do país

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BNNP734 Rio 2016 Volei


Foto: REUTERS/Lucy Nicholson


Se no Egito Antigo as mulheres eram respeitadas, tinham independência financeira e jurídica e, quando trabalhavam, recebiam salários equivalentes aos dos homens, atualmente, a história está bem diferente. Com o islamismo sunita como religião predominante - cerca de 90% da população de 93,05 milhões de habitantes -, elas são um tanto quanto subjugadas no país. No que se refere ao trabalho, por exemplo, precisam pedir autorização de seus maridos.

Além disso, dependendo da linha que se segue, obedecem a rígidos códigos de vestimenta, o que, para países não-islâmicos, pode ser visto como um símbolo de opressão. No vôlei de praia, uma atleta chama a atenção na Praia de Copacabana: nada de top, nada de biquíni. Doaa Elgobashy, de 19 anos, joga de hijab, uma espécie de véu sobre a cabeça, e calça, já que não pode mostrar as pernas.


No domingo (7), a jogadora entrou para a história com sua parceira Nada Meawad como membro da primeira dupla do Egito a disputar uma Olimpíada nessa modalidade. Elas estrearam contra a fortíssima dupla alemã formada por Laura Ludwig e Kira Walkenhorst e foram derrotadas por 2 sets a 0, parciais de 21-12 e 21-15. Mas, certamente lembrarão desse dia para sempre.

“Foi muito rápido o jogo, mas estamos felizes porque estamos em um dos melhores lugares do mundo para se jogar vôlei de praia. Pensamos que, por só jogarmos essa modalidade há um ano e meio, estamos orgulhosas. Se tivéssemos a mesma estrutura e condição do time alemão, teríamos ido melhor”, falou Doaa.


A parceira Nada explicou a questão de apenas uma delas usar o véu. Ambas são muçulmanas, mas Doaa é de uma linha diferente. Por isso, ela segue todos os preceitos.

“Na verdade, nós temos que usar o mesmo tipo de roupa. É por isso que eu estou usando calças. Normalmente, eu posso usar uma camiseta e biquínis”, disse ela, se referindo à regra da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), que diz que os atletas precisam ter o mesmo tipo de vestimenta. Se um jogador usa mangas longas, o outro precisa fazer o mesmo.


A delegação egípcia tem 123 atletas e apenas 37 são mulheres, o que representa apenas 30% do total. Os jogos olímpicos de Londres, em 2012, continua sendo o recorde do país. Foram 112 atletas, sendo 34 mulheres ( 30,3% da delegação). Muitas esportistas do país abandonam suas modalidades quando casam, já que seus maridos pedem que elas parem para ter filhos.