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​A CIA pode usar o jogo Pokémon Go para monitorar cidadãos comuns?

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Foto: divulgação


(LONDRES) Da redação


O aplicativo Pokémon Go tem chamado a atenção não só pela quebra de recordes de instalação, mas também por discussões sobre a privacidade de dados na internet.

Poderia mesmo um jogo como esse ser utilizado por órgãos como a CIA (agência de inteligência norte-americana) para monitorar cidadãos comuns? Para alguns especialistas, isso é possível. Mas, para além disso, a questão mostra o quanto usuários e seus dados estão expostos na internet.


No domingo (24), um post no Facebook sobre a suposta relação entre o criador do Pokémon Go, John Hanke, e a agência norte-americana teve quase 40 mil compartilhamentos.

O autor do post lembra que Hanke fundou, em 2001, a Keyhole, uma companhia pioneira no desenvolvimento de softwares para mapeamento de superfícies. Em 2004, em uma transação de 35 milhões de dólares, a Keyhole foi comprada pelo Google, e sua tecnologia foi utilizada para criar o Google Earth.


O ponto que mais criou polêmica faz referência ao financiamento da Keyhole. Isso porque um de seus patrocinadores foi a empresa In-Q-Tel , uma organização não-governamental “criada para preencher a lacuna entre a tecnologia que a Comunidade de Inteligência dos EUA necessita e a inovação comercial emergente”, segundo seu website.

A partir daí, usuários começaram a discutir a possibilidade de que o Pokémon Go pudesse ser utilizado como uma ferramenta de "vigilância" sobre usuários em todo o mundo, ao deixar imagens de suas casas expostas a serviços de monitoramento.


O Pokémon Go, da Niantic Inc., é um jogo de realidade aumentada desenvolvido para smartphones. Nele, os usuários devem caçar os chamados pokémons (monstros animados), que ficam sobrepostos a cenários reais, por meio de um mecanismo que utiliza as câmeras dos celulares. Para ter acesso ao jogo, os usuários devem liberar o acesso de dispositivos como câmera, GPS e microfone de seu aparelho – nada muito diferente do que exigem, por exemplo, ferramentas como Facebook, Instagram e Snapchat.


Vulnerabilidade dos dados


Embora não haja evidências sobre o uso que o software faz dos dados armazenados dos usuários, especialistas afirmam que há razões para se preocupar quando o assunto é segurança na internet.

Snowden, ex-analista da NSA (Agência de Segurança Nacional) dos Estados Unidos, vazou ao jornal britânico The Guardian documentos que indicavam que a GCHQ, agência britânica de espionagem, coletou imagens das webcams usadas por usuários durante conversas por meio do chat mantido pelo site Yahoo.

Até o momento, segundo seus desenvolvedores, o "Pokémon Go" já teve 75 milhões de downloads. Hoje, ele está disponível para os sistemas iOS e Android em Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, Japão e em 31 países europeus.