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Esporte

O olhar de um carioca em Londres se transportando pelo Rio olímpico

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O VLT e a nova Praça Mauá deram vida nova ao chamado Boulevard Olímpico (Foto: Divulgação)


(RIO DE JANEIRO - Julio Rucha) Quatro anos morando em Londres e três deles sem voltar ao Rio de Janeiro, a minha terra natal. Neste tempo fora de casa, acompanhei notícias que cruzaram o Atlântico de problemas e transformações. Os problemas, como sempre, não eram nenhuma novidade. Mas as transformações que a cidade maravilhosa passou desde o dia 2 de outubro de 2009, quando o Comitê Olímpico Internacional escolheu o Rio para sediar os jogos da XXXI Olimpíada, despertavam a minha curiosidade.



Desembarcar no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, é sempre uma tarefa árdua para cariocas e, principalmente, para turistas. O assédio que o viajante enfrenta de cambistas ilegais querendo trocar moeda estrangeira e de motoristas de táxi em cima da gente é algo constrangedor. Para me deslocar até Copacabana, bairro onde moram meus pais, optei por usar o novíssimo corredor exclusivo para ônibus articulados, o sistema BRT (Bus Rapid Transit), fazendo depois uma integração com o metrô em Vicente de Carvalho, na zona norte da cidade.



Comprei um cartão que dá acesso ao transporte público local. O Bilhete Único Carioca, que pode ser adquirido por um funcionário no aeroporto que sequer fala inglês, na teoria promete o mesmo que o nosso Oyster card oferece em Londres. Na prática, mantê-lo ativo é o grande problema. A viagem até Copacabana de BRT e metrô até a estação Cardeal Arcoverde, em Copacabana, transcorreu em 1h30. Sem problemas. A grande dificuldade foi quando quis recarregar o mesmo Bilhete Único que tinha acabado de adquirir na estação do metrô. É difícil encontrar postos de recarga pela cidade.



No Rio de Janeiro há outros tipos de cartões, além do Bilhete Único Carioca. Existem, também, um Bilhete Único RJ (estadual), o RioCard, os cartões do Metrô Rio e o RioCard Olímpico, apenas para se transportar até os jogos. Uma variedade de formas de pagamento que dificulta mais do que facilita. Se você buscar informação no guichê do Metrô sobre algum dos bilhetes que não são da empresa, eles - os funcionários do Metrô - não vão saber explicar absolutamente nada. 


Não sei se isto é proposital, mas causa uma enorme frustração.



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(Foto: Julio Rocha)



A falta de cortesia de muitas pessoas também é um dos pontos que deixa qualquer turista e a maioria dos cariocas irritados. Não repare se você estiver na estação de metrô e ser atropelado por alguém que está correndo e esbarrando em todo mundo para se sentar. Não repare se todo mundo parar dos dois lados da escada rolante, dificultando a passagem de quem quer subi-las ou desce-las caminhando.



Entrei em contato com o Metrô Rio sugerindo que mais sinalizações de bom uso da escada rolante e de organização na entrada e saída de passageiros dos vagões fosse estendida. Não obtive resposta da Invepar, concessionária responsável pelo metrô. Nos anos 90 era muito comum ver pessoas se sentando nos assentos preferenciais do transporte metroviário. Uma campanha de conscientização muito bem executada, na época, trouxe bons frutos nos dias de hoje. Os usuários do metrô carioca sentem-se, até mesmo, constrangidos de ocupar assentos para idosos, gestantes e pessoas com necessidades especiais. Mas muito ainda precisa ser feito para que a viagem se torne agradável para todos.



O mesmo cenário de desinformação se repete por outros modais da cidade como ônibus e barcas. Mas no recém inaugurado VLT (veículo leve sobre trilhos) um "exército" distribui folhetos informativos e orienta passageiros. O VLT liga a Rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio. Até o fim do ano, uma outra linha do VLT será inaugurada, também no Centro, completando os 28 km prometidos pela Prefeitura do Rio à população.




Nova linha de metrô é inaugurada no Rio



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Michel Temer e os governadores interino, Francisco Dornelles, e licenciado, Luiz Fernando Pezão, inauguraram a linha 4 do Metrô Rio (Foto: Beto Barata)



Viajar na nova linha 4 do Metrô Rio, uma promessa do Governo do Estado do Rio de Janeiro para os jogos de 2016, ainda é para poucos. Mas a equipe do BN Notícias em Português fez uma viagem inaugural, na tarde desta segunda-feira (1), da estação General Osório, em Ipanema, até o Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca.


O percurso durou apenas 16 minutos mas não leva o viajante direto para o Parque Olímpico da Barra, local que concentra mais de 50% dos eventos esportivos. É necessário fazer integração com o sistema BRT.


De carro, o percurso de Ipanema até a Barra pode demorar mais de uma hora, dependendo do trânsito. Apenas pessoas credenciadas, com ingresso para jogos e que possuam o RioCard Olímpico podem utilizar esta nova linha de metrô nesta fase de testes. A nova linha só estará aberta para todos os cidadãos a partir de setembro, quando terminarem os jogos paralímpicos.