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Ensaio da abertura emociona e causa polêmica com cena do rapa

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Foto: Divulgação


(Rio de janeiro - Julio Rocha) Inverno no Rio: calor e programa mais carioca de domingo do que ir ao Maracanã, não existe. Cerca de 47 mil convidados entre funcionários e voluntários da equipe Rio 2016 e Cerimônias Cariocas, empresa contratada para organizar as festas de abertura e encerramento dos jogos, assistiram neste último dia 31 a uma prévia do que será a abertura da primeira Olimpíada na América do Sul.



O clima de “vamos manter a surpresa” era aos poucos quebrado com milhares de celulares fotografando e filmando o show assinado por nomes como o cineasta Fernando Meirelles e a coreógrafa Deborah Colker.



As pouco mais de três horas de apresentação serão marcadas por vibrantes projeções em 3D no campo do estádio e homenagens aos nossos povos nativos, colonizadores, aos africanos e imigrantes que ajudaram a construir o Brasil.


Um dos momentos mais emocionantes, sem dúvida, ficará por conta de um ator que interpretará Alberto Santos Dumont, o pai da aviação, e Daniel Jobim, neto do compositor Tom Jobim, ao piano homenageando o avô falecido em 1994. O folclore brasileiro será representado por uma releitura das espadas de fogo de Cruz das Almas e confrontos entre bate-bolas e maracatus.



Uma cena causou bastante desconforto em grande parte dos convidados e de gente que faz parte da equipe de cerimônias, também. Ainda não se sabe ao certo, mas a parte em que a modelo Gisele Bündchen deve aparecer haverá uma perseguição policial ou assalto.



A equipe do BN Notícias em Português tentou localizar a assessoria da empresa Cerimônias Cariocas e não obteve retorno.



Voluntários ouvidos pela nossa equipe que estava nos bastidores do ensaio no Maracanã, também não gostaram do que viram. “Horrível e desprezível”, disse um voluntário que não quis se identificar. “Ridículo! Temos de mostrar o nosso melhor e não esse autoritarismo vergonhoso”, disse outro voluntário. “Achei estranho. Mas talvez eles (a equipe de criativos) tenham alguma mensagem a passar”, disse a voluntária sueca Emilie Alder. "Foi feito para rir e, ainda, tem uma lição de paz e amor no final" comentou Douglas de Barros, voluntário do grupo espadas de fogo.



O repertório musical será embalado por nomes como Ludimila, Elza Soares, Marcelo D2, Zeca Pagodinho, Karol Conka e MC Soffia. Um grande bailão antecede a entrada dos atletas aos som de “País Tropical” na voz de Jorge Ben Jor. O Hino Nacional Brasileiro será interpretado por Paulinho da Viola.



Uma mensagem de paz e sustentabilidade será narrada em português pela atriz Fernanda Montenegro e em inglês pela britânica Judi Dench. Cada atleta participante vai trazer uma muda de árvore durante o desfile. Segundo a organização, elas serão colocadas em seguida no Parque dos Atletas, floresta legado para a cidade após os jogos.



Após todo o protocolo olímpico acontece a grande apoteose. A avenida Marquês de Sapucaí será transportada para o Maracanã ao som da bateria das 12 escolas de samba do grupo especial do carnaval carioca. Ogran-finaleé a chegada da tocha. Porém, já se sabe que a pira olímpica vai ficar fora de um estádio olímpico pela primeira vez na história dos jogos.


O símbolo máximo veio do Canadá e está sendo instalado em frente à igreja da Candelária, no chamado boulevard olímpico, na zona portuária do Rio. Quem vai acendê-la? Ainda não sabemos. Um mistério guardado a sete chaves pelos organizadores e que só vamos conhecer no dia 5 de agosto. Façam suas apostas.




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Há quatro anos, no encerramento de Londres 2012, os brasileiros mostraram nos oito minutos dedicados à próxima cidade sede dos jogos o Gari Sorriso "sendo retirado do recinto" por um segurança. A imagem também causou um certo incômodo, à época. Segundo espectadores, refletiu o autoritarismo corriqueiro no Brasil. (Foto: Rio 2016)


No Maracanã vaia-se até minuto de silêncio

Durante os ensaios não foi anunciado o nome do presidente da República em exercício, Michel Temer. Porém, na tradicional fala do chefe de estado “declaro aberto os jogos olímpicos”, na voz de um figurante, vaias foram ouvidas pelo estádio.




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Voluntários e coreógrafos ensaiam juntos desde maio (Foto: Divulgação)


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O evento-teste serviu, também, para testar a segurança em torno do estádio do Maracanã. (Foto: Fernando Frazão/AB)