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Londres

Brasileiros são deportados por trabalho ilegal em rede de hambúrguer

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Web Byron
Uma das lojas da rede Byron em Londres (Foto: Yui Mok/PA)


(LONDRES - Da redação com agências) Uma operação da polícia britânica na cadeia de hamburguerias Byron, em Londres, deteve dezenas de funcionários imigrantes vindos do Brasil, Nepal, Egito e Albânia. Segundo o jornal espanhol londrino “El Ibérico”, que ouviu uma testemunha, eles foram deportados no mesmo dia. A rede britânica é acusada de ter armado para os trabalhadores.


O ministério do Interior britânico confirmou que 35 pessoas, maioria brasileiros, foram detidas em 4 de julho, menos de duas semanas após a votação do Brexit, por violações das leis de imigração. Investigações afirmam que as operações foram realizadas "com base em informações de inteligência" em várias lanchonetes.

Segundo o jornal "The Guardian", as batidas policiais foram realizadas durante sessões de treinamento sobre questões de segurança sanitária convocadas pela empresa.


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Batida policial foi reportada pelo Twitter por um dos funcionários da rede (Foto: Reprodução)


Um funcionário citado pelo jornal "El Ibérico", que revelou o caso, disse que as operações foram realizadas em 15 restaurantes da rede na capital britânica e que "150 [funcionários] conseguiram escapar dos controles e atualmente estão escondidos".


Segundo seu relato, uma funcionária da lanchonete teria revelado que aquilo não era um treinamento e que a polícia foi chamada porque sabiam que havia imigrantes ilegais entre os funcionários.

A Byron também confirmou as operações, mas não respondeu às alegações de enganou seus funcionários. Disse que a operação resultou na remoção de funcionários suspeitos de "não ter direito de trabalhar no Reino Unido, e de possuir documentos falsos pessoais e de trabalho que violam a regulação de imigração e emprego".


Boicote à rede de hambúrguer

O assunto ganhou as redes sociais, com uma chamada no Twitter - com a hashtag #boycottbyron - ao boicote de restaurantes Byron, acusada de ter armado para deter os funcionários.


O funcionário citado pelo "El Ibérico" disse que no dia da ação os funcionários decidiram não trabalhar em solidariedade com os que foram expulsos.


"Na noite de 4 de julho, eles foram deportados para seus países sem nada. Os chefes sabiam da situação dessas pessoas. Eles trabalham duro e não dizem nada. Se têm que trabalhar 60 horas por semana, trabalham e não dizem nada. Os responsáveis da empresa sabem disso e por isso contratam essas pessoas ", disse ele.