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Amamentação na política: a grande polêmica no Parlamento britânico

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Foto: Reprodução/ Twitter / Política Victoria Donda Perez amamenta seu filho durante debate no Parlamento argentino



(LONDRES) Por Patricia Blumberg


A polêmica tem ganhado as redes sociais do mundo todo. E no Reino Unido despertou novamente a necessidade em discutir o assunto, uma vez que o número de mulheres na política vem aumentando progressivamente. Hoje, dos 650 parlamentares da House of Commons, 191 são mulheres. Existe ainda uma estatística, formulada em lei, para que um mínimo de 40% das cadeiras sejam ocupadas pelo sexo feminino até 2020.


A lei Equality Act (2010) proíbe que estabelecimentos discriminem mães que amamentam, mas ainda não há punições severas em relação ao ato. Se a situação fora da política está longe da ideal, dentro de um espaço historicamente dominado pelos homens ela tende a ser pior. A discussão, envolvendo amamentação e política, causa bastante controvérsia entre parlamentares.


Esta semana, o porta-voz da House of Commons, John Bercow, sinalizou proposta que inclui permissão da amamentação durante os debates da Casa, afirmando que o ato seria “simbólico e colocaria todo o Parlamento na posição de modelo a ser seguido pela sociedade”. A proposta, escrita por Sarah Childs, professora de gênero e políticas da Universidade de Bristol, tem o objetivo de escancarar a luta contra o sexismo.


“Todos nós sabemos que essa jornada é longa, mas Childs tem reascendido a chama sobre a importância desse tema. A proposta será uma grande inspiração dentro da Casa”, pontuou Bercow. “Se queremos mais mulheres na política, devemos adaptar nossas leis”, concluiu o porta-voz do parlamento.


Muitos parlamentares, incluindo a bancada do ultraconservador Ukip, são radicalmente contra a proposta. O parlamentar conservador Simon Burns, por exemplo, afirmou ao The Telegraph que a lei permitiria uma exposição do Parlamento ao ridículo. “Você vê funcionárias da rede Tesco amamentarem seus filhos? Por que uma funcionária da Casa deveria”? Questionou.


Na Espanha, no início deste ano, uma grande polêmica dominou a impressa nacional e internacional. Não era a que seria esperada, diante de um cenário de intensa divisão política, como a que ocorre atualmente no país. Mas, um escândalo inesperado e que acabou ensejando uma discussão sobre maternidade e amamentação. A deputada do esquerdista, Carolina Bescansa, foi criticada por levar seu bebê de cinco meses ao Plenário e amamentá-lo em público. a parlamentar ouviu de parte dos políticos espanhóis que o gesto foi uma “lamentável instrumentalização de crianças com fins políticos” e um “mau exemplo, desnecessário”, já que na Casa há uma creche.


Vale lembrar que a amamentação no ambiente político foi aprovada em junho de 2015 na Escócia e em fevereiro de 2016 na Austrália. No Brasil, não existe lei que aborde o assunto e não há registros de políticas federais que tenham amamentado em sessões, mas a deputada estadual do Rio Grande do Sul, Manuela d’Ávila (PCdoB), passou pela experiência no final de maio.


Mãe de Laura (6 meses), ela levou a bebê para uma sessão extraordinária na Assembleia, onde ficou das 10 às 2 horas do dia seguinte em votação. Laura revezou-se entre ela, na sessão, e o marido, no gabinete, e foi amamentada no Plenário. “Amamentei na sessão, na sala dos deputados e no café. Foi absolutamente tranquilo e, se alguém se ofendeu, não teve coragem de dizer”, afirmou.