8 °C
Mundo

Tentativa de golpe na Turquia deixou 265 mortos, diz governo

|


Turkeymilitarycoup

Milhares saem às ruas a pedido do presidente Erdogan (Foto: Reuters)



(Da redação) A tentativa de golpe militar na Turquia, que começou na noite de sexta-feira (15), deixou 265 mortos, afirmou o primeiro-ministro do país, Binali Yildirim. Como consequência das ações - no que é visto como o início de um "expurgo" - o governo afirma ter demitido 2.745 juízes, que acusa estarem envolvidos na ação que tentou derrubar o presidente Recep Tayyip Erdogan.


"A situação está sob controle. Não se preocupem pelos comandantes (retidos); estarão em breve em serviço", afirmou o primeiro-ministro. "Os cérebros do golpe foram todos detidos. Estamos buscando outros; estamos detendo. Os promotores começaram com seu trabalho judicial.”


“Os membros deste grupo estão agora em mãos da nação turca e vão receber a pena que merecem", acrescentou. Segundo o premiê, os envolvidos na tentativa serão expulsos das Forças Armadas.


Ao retornar a Istambul, no fina da noite de sexta (madrugada de sábado na Turquia), Erdogan disse que a insurreição militar é um ato de traição e que os responsáveis “pagarão caro”. Segundo ele, que diz continuar no poder apesar da reivindicação dos militares, esta é uma oportunidade para “limpar” as Forças Armadas do país.


Gulen


Yildirim voltou, neste sábado (16) a acusar diretamente o clérigo Fethullah Gulen como responsável pela tentativa de golpe na Turquia. Gulen, líder de um movimento social-religioso chamado Hizmet – que o governo de Erdogan afirma ter montado um “Estado paralelo” no país – vive em um autoexílio nos Estados Unidos e condenou os acontecimentos desta madrugada.


O Hizmet foi classificado pelo governo turco, em maio, como uma organização terrorista.“Qualquer país que proteja Fethullah Gulen será um inimigo da Turquia e será considerado em guerra com a Turquia”, afirmou o primeiro-ministro, lembrando que o país é um membro da Otan.


Na sexta, Erdogan havia feito a mesma acusação. De acordo com o presidente, esta tentativa de golpe foi realizada por uma “minoria” dentro das Forças Armadas que não tem capacidade de unir o país e que tem sido orientada por Gülen


O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediu que Turquia enviasse evidências de que Gulen esteja envolvido na tentativa de golpe. Kerry, de acordo com a emissora britânica BBC, está em Luxemburgo e afirmou não ter recebido nenhum pedido de extradição vindo de Ancara.

Por meio de comunicado oficial, o Hizmet negou as acusações de Erdogan e rechaçou a tentativa de golpe militar no país. A nota diz que o movimento tem mais de 40 anos de "compromisso com a paz e a democracia".


Tentativa de Golpe


No começo da noite desta sexta-feira, membros das Forças Armadas turcas fecharam as pontes de Bósforo e Fatih Sultan Mehmet, em Istambul, em meio a jatos e helicópteros voando baixo sobre a cidade e em Ancara e de relatos de tiros na capital turca.


Os militares também cercaram o Parlamento turco, em Ancara, para onde também se encaminharam civis se manifestando contra o golpe, segundo a BBC. Em Istambul, os militares abriram fogo contra civis em uma das pontes bloqueadas e na praça Taksim.


O grupo de militares divulgou um comunicado em que diziam que as Forças Armadas "tomaram integralmente a administração do país para reinstaurar a ordem constitucional, os direitos humanos e liberdades, o Estado de direito e a segurança geral que foi deteriorada".


Antes de chegar a Istambul, Erdogan apareceu via webcam no canal CNN Turk e pediu que a população saísse às ruas para tentar impedir que os militares tomassem o poder no país.