11 °C
Mundo

Sul de Londres protesta contra racismo policial após a morte de jovens negros nos EUA

|

Barack Obama participa de discussão sobre reforma do sistema judiciário criminal na Casa Branca, em Washington

Foto:Reuters/Kevin Lamarque


(Londres) da redação

Desde sábado (9), uma onda de manifestações espalhou-se pelas principais capitais, incluindo Londres, cobrando mais atenção das autoridades pela luta contra o racismo. Nos Estados Unidos, diversos manifestantes foram presos em protestos contra a violência policial. Um dos principais ativistas do movimento Black Lives Matter ("Vidas de negros importam", em tradução livre), DeRay McKesson, foi detido durante um ato em Baton Rouge, capital do estado de Luisiana.


Em Londres, centenas de pessoas marcharam na noite de sábado (9) em Windrush Square, Brixton, sul de Londres, em protesto contra o racismo policial, após a morte de jovens negros nos Estados Unidos. Manifestantes seguravam cartazes como “Mãos para cima, não atire” e “Black Lives Matter”, numa alusão ao movimento americano.

Na sexta-feira à noite (8), centenas de protestantes também marcharam em direção ao Parlamento, no centro de Londres, um dia após o atentado em Dallas. Eles cobraram mais atenção a questões que envolvem preconceito.



Ataque em Dallas


O ataque que deixou pelo menos cinco policiais de Dallas mortos na quinta-feira da semana passada, o que mais matou agentes da lei americanos desde o atentado de 11 de Setembro. Franco-Atiradores dispararam contra policiais que atuavam em protesto contra a violência policial, planejado após dois homens negros serem mortos por policiais brancos em outras cidades do país.


Desde sábado (9), uma onda de manifestações espalhou-se pelas principais capitais, incluindo Londres, cobrando mais atenção das autoridades pela luta contra o racismo. Nos Estados Unidos, diversos manifestantes foram presos em protestos contra a violência policial.


Em declaração à imprensa no domingo (10), Obama disse esperar que integrantes dos protestos e forças de segurança "conversem e se escutem" para superar tensões da morte de dois jovens negros pela polícia e pelo massacre de cinco agentes em Dallas, no Texas. "Quando algumas pessoas, que estão preocupadas com a justiça no sistema penal atacam policiais, estão prejudicando a causa", sustentou Obama.


Pesquisa mostrou que americanos brancos e negros têm visões distintas sobre raça e preconceito racial 

Foto: Getty Images


Black Lives Matter


O movimento que está no epicentro dos protestos, que se intensificaram nos últimos dias nos EUA, recebe o nome de "Black Lives Matter" e surgiu após a morte de vários jovens negros desarmados por policiais, como em 2014, com a morte do adolescente negro Michael Brown.


O presidente Barack Obama considera o movimento legítimo e apoia a ação dos protestantes. O líder americano recomendou aos ativistas, no entanto, que mantenham "um tom honrado, sério e respeitoso, porque isso ajudará a mobilizar a sociedade americana a conseguir uma mudança real".


Obama ainda lembrou durante o discurso de domingo que, ao longo da História, os EUA se "beneficiaram" da liberdade de expressão e protesto com movimentos, como o da abolição da escravidão e do feminismo, nos quais também houve ativistas que agiram de forma "contraproducente".


Centenas de pessoas marcharam em Brixton em protesto contra o racismo policial 
Foto: Tansy Hoskins


Negros afirmam que igualdades raciais não foram alcançadas


A maioria dos negros americanos diz ser tratada injustamente e que a igualdade racial “não foi alcançada”, segundo estudo realizado pelo Pew Research Center, nos Estados Unidos e também mostrou que americanos brancos e negros têm visões distintas sobre raça e discriminação racial.


Segundo a pesquisa, 85% dos negros entrevistados afirmaram que o país tem de mudar, mas apenas 55% dos brancos disseram o mesmo. No ano passado, por exemplo, três em cada dez pessoas mortas pela polícia eram negras, apesar de apenas 13% da população dos Estados Unidos ser negra. Foram entrevistados 3,769 adultos entre 29 de fevereiro a 8 de maio de 2016. Do total, 1,799 eram brancos, 1,004 negros e 654 hispânicos.