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Final da Eurocopa é o jogo da vida do emigrante português na França

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Foto: AET /Comemoração com a bandeira de Portugal após a vitória de 1 a 0 sobre a França


(LONDRES) Da redação - No mês passado, dias antes da estreia de Portugal na Eurocopa, o recém-eleito presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza, acompanhado pelo primeiro-ministro, Antônio Costa, visitou Champigny-Sur-Marne, uma cidadezinha da periferia de Paris. Por lá, nos anos 1950, uma favela agrupava os portugueses escapados da pobreza e da ditadura salazarista.


O episódio joga luz sobre um aspecto menos conhecido da história colonial portuguesa. No século 19, Portugal especializou-se em “criar gado humano”, a “principalíssima indústria portuguesa de expostação” segundo o historiador Oliveira Martins (1845-1894).

Hoje, o quadro mudou bastante e o imigrante português deixou de morar em favelas para fazer parte da classe média europeia, mas a emigração continua sendo um barômetro do bem estar nacional: no auge da crise financeira, em 2011, o governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho conclamou os portugueses a emigrar, para mitigar o desemprego e gerar renda com as remessas para suas familias.


Dos cerca de 30 milhões de portugueses espalhados pelo mundo, o contigente da França é o que mais alimenta o imaginário português.

E eles estão perfeitamente integrados na paisagem francesa. Cada bairro tem o seu boteco português, onde fazem pausa aqueles que tocam o dia a dia da cidade: porteiros, faxineiros, encanadores. Religiosamente, eles se reúnem aos domingos em certos cafés e centros comunitários para assistir os clássicos entre Porto, Benfica e Sporting de Lisboa.

Esses lugares estavam especialmente lotados no último domingo (10). Uma final França-Portugal é o jogo da vida de um imigrante, ainda mais quando cinco dos titulares são portugueses nascidos na França ou franceses de origem portuguesa.

Portugal consagrou-se campeão e a seleção lusitana deixou de apostar tudo em Cristiano Ronaldo para montar um time de batalhadores modestos e de origens diversas, dispostos a morrer em campo pelo seu país.


O título foi para todos estes que sentem na pele a dificuldade de abandonar um país, seja por qual motivo for. A vitória foi um resumo da história do país, sofrida desde o início, mas com o final feliz. E o gol foi do africano Éder, aos quatro minutos do segundo tempo da prorrogação dando aos garotos o gosto de conquistar o primeiro título na história do país.

Numa casa quase portuguesa, uma festa, com certeza.


Os imigrantes

Dos 23 convocados e campeões pela seleção portuguesa, cinco nasceram fora da Europa.


Danilo Pereira nasceu em Guiné-Bissau


Éder nasceu em Guiné-Bissau


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Nani nasceu em Cabo Verde


Pepe nasceu no Brasil


William Carvalho nasceu em Angola