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Rio 2016: Falta apenas um mês para o evento esportivo mais importante do ano, e o Brasil ainda está cheio de preocupações pela frente

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Fonte: Imprensa Rio 2016 / Tocha Olímpica


(LONDRES) Da redação com Fernanda Freitas


O Brasil está a cada dia mais cheio de preocupações com os temas políticos e econômicos. Até mesmo quando se trata de deixar o lado festivo florir um pouco mais, as preocupações com a viabilidade e a tranquilidade dos atletas e turistas logo vêm no topo das urgências de autoridades, que tentam amenizar os problemas.

Em 2009, quando o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar os jogos olímpicos de 2016, a expectativa era muita e de grande incentivo do ponto de vista turístico.

Muitos devem recordar que num primeiro momento, o anúncio feito pelo Comitê Olímpico Internacional trouxe alegria e principalmente esperança de profundos avanços de infraestrutura na cidade.


O legado que a Rio 2016 deixaria, mudaria os rumos da Cidade Maravilhosa. Mas a menos de 30 dias do início da festa do esporte, a realidade é bem diferente.

Para a Copa do Mundo de 2014, os ingressos esgotaram-se meses antes do evento. Atualmente, mais de 1,5 milhão de bilhetes para os Jogos estão encalhados. Para as Paraolimpíadas, menos de 30% da carga total foi vendida.

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, admite à imprensa que o clima de desânimo no país prejudica a empolgação dos cariocas com as Olimpíadas.


Na questão ambiental, todas as metas estipuladas pela prefeitura do Rio foram descumpridas. O dossiê de candidatura para os jogos, que previa tratamento do esgoto lançado na Baía de Guanabara, não atingiu nem a metade do esperado. O objetivo era limpar 80% dos dejetos, mas com o estado em crise, a Secretaria do Ambiente não estabelece mais um prazo para atingir a meta.

A Lagoa de Jacarepaguá, que também deveria passar por processo de despoluição, foi alvo de reclamações até mesmo dos atletas, que sofreram com o mal cheiro, durante o evento-teste antes dos jogos.

A drenagem da lagoa foi orçada em R$ 673 milhões e teve licitação suspensa pelo Ministério Público por suspeita de cartel.


O plano de permitir o banho na Lagoa Rodrigo de Freitas também não chegou nem perto de ser alcançado, mesmo a qualidade da água tendo melhorado em relação a 2009.

Outra medida mais simples, como plantação de 24 milhões de mudas da Mata Atlântica foi cumprida apenas em partes, e só 5,5 milhões delas serão plantadas.

A Secretaria Estadual do Ambiente justificou que a crise financeira e a falta de planejamento inviabilizaram os projetos, mas afirmou que medidas alternativas estão sendo tomadas. Dentre elas, a plantação de 30 mil mudas de mangue na Lagoa de Jacarepaguá, para reduzir o malcheiro e a restauração de 3.275 hectares da Mata Atlântica, para compensar a emissão de gases poluentes durante as obras olímpicas.


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Foto: Ricardo Borges / Mancha de poluição na Lagoa de Jacarepaguá


O custo dos jogos


A agência inglesa Moody's fez uma análise de classificação de risco de crédito positiva para o Rio de Janeiro. O valor gasto com os jogos ficou perto dos $ 5 bilhões de dólares, bem abaixo do de outras cidades, como Londres, que desembolsou o triplo do valor. E o retorno em investimentos de infraestrutura está calculado em mais de $ 25 bilhões de dólares para a região metropolitana do Rio.


O texto divulgado pela Moody’s prevê "melhorias em longo prazo na infraestrutura dos transportes públicos e mobilidade urbana”.



Violência também é uma preocupação


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O Globo / Policias com salários atrasados se reúnem no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro


Moradores do Rio de Janeiro sofrem há anos com a precarização da segurança pública, porém, com a Rio 2016 problemas locais passaram a ser de conhecimento mundial e a afetar pessoas envolvidas nos jogos olímpicos.

No final do mês passado, a velejadora paraolímpica australiana e campeã em Londres 2012, Liesl Tesch (47) e sua fisioterapeuta Sarah Ross foram assaltadas no Aterro do Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Enquanto treinavam, Liesl e Sarah tiveram suas bicicletas roubadas após serem abordadas por dois homens, estando um deles armado.


Apesar do ocorrido, a atleta confirmou que participará da competição e está com boas expectativas. “Com certeza vou voltar para competir na linda Baía de Guanabara. Não tenho medo, com a chegada dos militares a segurança será fantástica. Vocês sediaram uma incrível Copa do Mundo, com uma alegria de viver na cidade.” Afirmou Tesch.

Entretanto este não foi um caso isolado. No mês de maio, velejadores de quatro países, Dinamarca, Grã-Bretanha, Irlanda e Nova Zelândia, treinavam na Baía de Guanabara, quando foram surpreendidos por um tiroteio entre polícia e traficantes no Morro do Cavalão, em Niterói. Segundo matéria feita pela revista Veja, alguns atletas caíram dentro d’água e uma bala atingiu o muro do clube, escolhido como base de treinamento.


E não só esportistas sofreram casos de violência. No fim do mês passado, um caminhão contendo equipamentos de cobertura televisiva de duas agências alemães, a caminho do Parque Olímpico, foi interceptado por bandidos armados no subúrbio do Rio. Alguns dias depois a carga foi encontrada na Baixada Fluminense, porém, a violência na cidade tinha se tornado manchete de diversos veículos internacionais, como o alemão Deutsche Welle e o The New York Times.

Apesar disso, o Ministro da Justiça Alexandre de Moraes garantiu que não há riscos. "Temos plena certeza que os jogos serão realizados com absoluta tranquilidade. Estamos fazendo esforços conjuntos com Abin, órgãos de segurança pública dos estados e forças armadas, para que possamos fazer uma das maiores, senão a maior festa olímpica que já ocorreu".


O esquema tático para os jogos contará com a integração entre segmentos distintos de forças de segurança e uso da tecnologia para garantir que o evento seja um sucesso. Uma mobilização nunca vista antes no Brasil: 85 mil homens patrulharão a Vila dos Atletas, arenas, estádios e pontos turísticos. Desses, 47 mil pertencem à segurança pública e 38 mil são das forças armadas. Além de mais 250 policiais de 55 países.

Segundo Andrei Rodrigues, chefe da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça esse é o principal legado, deixado pelos jogos, já que 20 mil policiais foram treinados em cursos de segurança.

Os jogos olímpicos vão do dia 5 a 21 de agosto, e os paraolímpicos de 7 a 18 de setembro. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas até o momento, a expectativa para a Rio 2016 é grande.