16 °C
Saúde

A dieta que faz bem para a cidade

|



BNNP729 NossaDica3

Foto : Vinicius Paulino / Karen Cannard mostra o tamanho de seu cesto de lixo não reciclável


(LONDRES) Por Patricia Blumberg

 

A cada ano, 4 milhões de toneladas de lixo são produzidas na cidade de Londres. O lixo doméstico responde por 10% desse total, o equivalente a uma piscina olímpica lotada de lixo a cada hora que passa do nosso dia. Disso tudo, 40% é reciclado.

 

Parece muito, mas ainda estamos longe do ideal. O Reino Unido espera reciclar 70% dos resíduos urbanos e 80% dos materiais de embalagem até 2030, dentro de um plano que estabelece regulamentações jurídicas para incentivar e desenvolver a economia circular, segundo dados divulgados pelo parlamento.

 

Essas regulamentações vão aumentar a reciclagem e evitar a perda de materiais valiosos, bem como criar emprego, propiciar crescimento econômico, gerar novos modelos de negócios e reduzir as emissões de gases com efeito estufa. O parlamento promete colocar o plano em prática ainda este ano.

 

BNNP729 NossaDica1

Karen Cannard ganhou prêmio de cidadã-estrela por David Cameron pelo trabalho que realiza com afinco

Foto : Vinicius Paulino


Nós podemos e devemos, no entanto, começar a fazer a nossa parte desde já. Quando o exemplo de convivência com o lixo é superado, como acontece aqui em Londres, outros tipos de assuntos são levantados como um segundo passo para a organização da cidade - e cabe a nós, cidadãos, aperfeiçoar o ambiente que nos cerca para a construção de um mundo melhor.

 

Pesquisando na internet, encontrei uma equipe que ajuda a reduzir pelo menos 1300 toneladas de lixo por dia de uma maneira muito simples e prática. The Rubbish Diet, uma empresa formada só por mulheres, ensina não só como reciclar, mas como comprar melhor os alimentos e aproveitar de maneira consciente nossas embalagens. E o que é melhor: emagrecendo o que produzimos, é possível economizar muito dinheiro.

 

Reconhecida e premiada pelo parlamento britânico em 2015, Karen Cannard é a grande idealizadora do projeto. Bibliotecária de profissão, Karen dividia um apartamento com quatro amigas da universidade quando se deu conta do que realmente a incomodava nessa cidade: não eram as filas quilométricas para comprar um Flat White logo cedo, nem o ônibus de dois andares que decidia trocar a rota repentinamente fazendo com que se atrasasse para o trabalho. Era a quantidade de lixo que produzia.

 

BNNP729 NossDica


“Nós morávamos em quatro pessoas e um saco de lixo era produzido por dia. Não sabíamos comprar nossos alimentos e o resultado não era só uma alimentação muito ruim, a base de enlatados, mas a produção exagerada de lixo. Foi quando pensei que a dieta não começava em mim, mas no lixo que eu estava produzindo”, explicou Cannard para o BNNP enquanto cozinhava em sua casa.

 

Muita coisa mudou desde que começou o projeto The Rubbish Diet, em 2008. Karen possui em sua casa um cesto de lixo de um metro para materiais recicláveis e apenas uma lata de 20 cm para o resto do lixo que produz. “Hoje em dia, no final de 8 semanas, eu consigo jogar fora apenas um saco de lixo não reciclável”, acrescentou.

 

Basta aceitar o desafio proposto em seu blog (www.therubbishdiet.org.uk) para começar a dieta. O programa baseia-se em três primeiros passos básicos, que começa pela checagem dos produtos que podem ser reciclados antes de serem comprados, passando pela utilização máxima da comida que possui em seu armário e, por fim, reutilizando aquilo que não pode ser consumido.

 

BNNP729 NossaDica2


“Você passa a comprar de maneira mais inteligente o que consome. Por que comprar cebolas em saco plásticos se podemos comprá-las soltas, uma por uma? E por que não reutilizar um plástico que continha sopa para reorganizar aquela comida que foi produzida em maior quantidade?”, resumiu.

 

Após três semanas, a blogueira passará a enviar dicas semanais via e-mail para manter sua dieta em dia. Uma opinião que é de graça, mas vale muito e ajuda a melhorar nosso planeta, que ainda precisa de muitos reparos. Cannard garante que, após três meses de reeducação e emagrecimento, é possível salvar, no mínimo, £70 libras mensais. Uma dieta que faz bem para a cidade, para o bolso e para a saúde.