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Cabo Verde comemora 41 anos de independência

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Cabo Verde na época de 1980

Foto: Arquivo Estado 


(Londres) 


A República de Cabo Verde comemorou na última terça-feira, 5 de julho, o 41º aniversário da proclamação da independência nacional. O país foi colônia de Portugal desde seu ‘descobrimento’, no século XV, pelo navegante à serviço da Corte, Diogo Gomes. O português encontrou as ilhas desabitadas e aparentemente sem indícios de presença humana.

Hoje, Cabo Verde é um dos mais prósperos países do continente africano. Para celebrar a data de independência e a emancipação política da nação, o país organizou uma série de atividades.


Logo na manhã de terça-feira (5), foi depositada uma coroa de flores pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, no memorial Amílcar Cabral, o “pai das nacionalidades guineense e cabo-verdiana”. Nas palavras do presidente, tratou-se de “um gesto de reconhecimento e gratidão àqueles que, em primeira linha, lutaram pela independência”.



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O grande nome da independência de Cabo Verde, Amílcar Cabral


Sessão solene por Cabo Verde


Também houve uma sessão solene no Parlamento na quarta-feira (6). Durante a sessão solene, aberta aos cidadãos, ocorreram intervenções dos líderes parlamentares do Movimento para a Democracia (MpD), Rui Figueiredo Soares, do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, e do deputado e líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), António Monteiro.


O evento contou com a presença das mais altas figuras do Estado cabo-verdiano, como o Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, outros membros do Governo, corpo diplomático, combatentes da liberdade, entidades militares, religiosas e organizações da sociedade civil.


Ao discursar na sessão solene comemorativa dos 41 anos da Independência Nacional, Jorge Carlos Fonseca chamou atenção para as desigualdades na distribuição da riqueza, um problema que requer uma ação firme dos poderes públicos para evitar que se transforme em um fator de perturbação e de clivagem social.


Cabo Verde comemora mais um aniversário da independência num ano marcado por eleições legislativas, que ditaram a vitória do MpD, que suporta agora o Governo, após 15 anos de governação liderada pelo PAICV.

Ainda este ano o país realiza eleições autárquicas (04 de setembro) e presidenciais (02 de outubro).

 

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O “braço de lua”, símbolo da resistência, em grafite pela cidade cabo-verdiana


Convidados de honra

Vários países enviaram delegações para as celebrações dos 41 anos de independência de Cabo Verde, como Angola, Portugal e China.

O secretário de Estado da Defesa português, Marcos Perestrello, disse durante a sessão solene: “Olhamos para Cabo Verde e vemos hoje um país com um rendimento acima da média e com uma democracia enraizada e estabilizada.”

A visita do político permitiu também lançar as bases da cooperação Cabo Verde – Portugal para o triênio 2016-2019: “Vamos reforçar a cooperação em áreas importantes como a saúde, a educação e a justiça e alargá-la à componente institucional, nomeadamente ao combate ao terrorismo e ao narcotráfico.”


BNNP Bandeira Cabo verde


Cabo Verde: exemplo para África

Cabo Verde, país considerado exemplo de democracia, transparência e boa governança na África, proclamou a independência no dia 5 de Julho de 1975. Esse passo foi dado meses antes quando, em dezembro de 1974, foi assinado um acordo entre o “Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde” e Portugal, dando início ao processo de transição política cabo-verdiano.


Em plena Guerra Fria, no ano de 1956, jovens como Amílcar Cabral, Aristides Pereira e Luís Cabral fundaram o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, que defendia a ideia de liberdade para todo o continente africano. Pedro Pires, Primeiro-ministro entre 1975 e 1991 e duas vezes presidente da República (2001-2011), foi um dos que liderou a delegação que negociou com Portugal o reconhecimento da independência da Guiné-Bissau e depois de Cabo Verde.

Em 20 de janeiro de 1973, o guineense Amílcar Cabral foi assassinado em Conacri. Após a morte de Cabral, a luta armada se intensificou.

O processo de independência das colonias portuguesasn começou após a Revolução dos Cravos, em Portugal. Em 1975, foram realizadas as eleições para a Assembleia Constituinte, as primeiras no país com sufrágio universal em 50 anos.


No mesmo ano, os movimentos angolanos iniciaram um conflito armado pelo controle do Estado dando início a uma guerra civil que só acabou em 2002. Além de Cabo Verde, conpletam 41 anos de independência, este ano, Moçambique (25 de junho), São Tomé e Príncipe (12 de junho) e Angola (11 de novembro).