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Ensino superior teme efeito do Brexit

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BNNP729 Reino Unido Ensino Superior


( Londres) Da redação


Os efeitos colaterais do Brexit não poupam universidades que estão entre as melhores do mundo. Alunos e professores europeus que têm direito a estudar e trabalhar no Reino Unido graças às fronteiras abertas da UE podem ser afetados, assim como fundos essenciais para pesquisas. No rastro do Brexit, a posição das universidades britânicas como líderes globais em ciência e inovação enfrentará obstáculos.

Cerca de 125 mil estudantes europeus frequentam atualmente instituições de ensino superior no Reino Unido. Nenhum outro lugar do mundo, com exceção dos EUA, atrai tantos alunos estrangeiros. A grande quantidade de jovens falando diferentes línguas forma uma base multicultural vibrante, sustentada pela diversidade, em cidades como Londres, Oxford, Cambridge e Edimburgo.

Os que vêm de países membros da UE têm direito aos mesmos preços e benefícios que os britânicos. Sem o bloco europeu, as regras devem sofrer mudanças, elevando consideravelmente os custos de uma graduação ou pós-graduação para essa massa de alunos (5% do total de estrangeiros). O potencial de estrago do Brexit ainda está sendo avaliado, mas o clima é de pessimismo no meio acadêmico.

No dia seguinte à vitória do Brexit, as universidades foram rápidas em avisar que, por enquanto, nada muda nas condições oferecidas aos estudantes e funcionários europeus. A participação em programas de intercâmbio e o acesso a fundos também continua igual a curto prazo. Porém, como o Reino Unido terá que rever todos os acordos com a UE nos próximos anos, o ensino superior vive tempos de incerteza.

Estudos conjuntos

Só no setor universitário, fundos europeus de pesquisa movimentaram 836 milhões de libras esterlinas (R$ 3,5 bilhões) no ano passado e geraram 8,8 mil empregos diretos. Um exemplo de colaboração que prova a força da aliança com a UE: a Universidade de Cambridge recebeu milhões de libras para pesquisar a incidência de câncer de mama e ovário em diferentes países europeus.

A conexão entre as universidades do bloco também é fundamental para o sucesso do Erasmus, o maior programa de intercâmbio do continente, que já beneficiou três milhões de jovens, entre eles 200 mil britânicos, em três décadas. Ainda não se sabe como o Brexit afetará o programa.

Enquanto um estudante britânico e europeu paga um valor máximo de 9 mil libras esterlinas por ano (R$ 38,7 mil), o preço para outras nacionalidades pode subir para 15 mil libras (R$ 64,5 mil).