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Brexit abala o mercado imobiliário de Londres

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Libra esterlina, cai a seu valor mais baixo desde 1986, afeta mercado imobiliário em Londres

Foto: Reuters



(Londres) Da redação com informações da Reuters

 

A jogada pelo Brexit não parecia tão arriscada em janeiro de 2013, quando o Primeiro-ministro David Cameron, para contentar os eurocéticos no próprio partido, prometeu conquistar melhores condições para o país na União Europeia e submeter a permanência a consulta até o fim de 2017, caso fosse reeleito em maio de 2015.

O que parecia incerto e quase impossível, no entanto, tornou-se realidade. O resultado da saída do Reino Unido da União Europeia provocou um choque no mundo todo com a vitória da campanha pela saída, que amealhou 52% dos votos. (17,4 milhões contra 16,1 milhões). 


Entre as vítimas iniciais do Brexit estão a libra esterlina, derrubada a seu valor mais baixo desde 1986; o próprio David Cameron, que anunciou sua renúncia após seis anos no poder; e o mercado imobiliário da cidade de Londres. 

Alguns dos principais proprietários imobiliários estrangeiros têm se aproveitado da situação instável para fazer o que os especialistas chamam de “barganha residencial”.


Vale lembrar que 85% das compras de imóveis de alto padrão em Londres foram feitas, desde 2012, com dinheiro estrangeiro. Apenas 27% dos imóveis novos na área central de Londres teriam sido comprados por cidadãos britânicos, enquanto que mais da metade foi vendida para investidores de Singapura, Hong Kong, China, Malásia e Rússia.


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Serviços suspensos


Antes do Brexit, algumas pesquisas de mercado apontavam que o valor imobiliário em Londres iria despencar. Bem, não é isso que está acontecendo.

O United Overseas Bank (UOB) foi a primeira instituição financeira de Singapura a suspender, temporariamente, financiamentos de hipotecas para propriedades em Londres, enquanto outros bancos asiáticos sinalizam potenciais riscos de investimentos após os britânicos votarem para que o Reino Unido deixe a União Europeia (UE).


O Brexit tensionou os mercados, levando a quedas nas Bolsas e derrubando a cotação da libra. Esses fatores alimentaram temores sobre a saúde de um mercado de propriedades em Londres, que já atraiu grande interesse de investidores asiáticos procurando retornos estáveis.


“Nós vamos, temporariamente, parar de receber pedidos estrangeiros de financiamento para propriedades em Londres”, disse uma porta-voz do banco UOB em um e-mail. “Dadas as incertezas, nós precisamos garantir que nossos consumidores estão cautelosos com seus investimentos em propriedades de Londres”.



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Alertas de outras instituições


Muitas instituições asiáticas disseram estar enviando alertas para os clientes, embora ainda ofereçam empréstimos para propriedades em Londres.

“Para consumidores interessados em comprar propriedades em Londres, nós aconselhamos avaliar a situação com cuidado antes de se comprometerem com compras, já que podem haver potenciais riscos cambiais e soberanos”, explicou por e-mail Tok Geok Peng, diretor executivo de empréstimos garantidos no DBS Bank.


“Nós vamos continuar a conceder financiamentos de hipoteca para nossos clientes, embora estejamos alertando nossos consumidores do aumento de riscos surgindo em função da volatilidade nos mercados financeiros”, disse à Reuters o vice-diretor executivo do Bank of East Asia, Brian Li.


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A JLL, consultante global especialziada no assunto, afirmou que existiram 1.3 milhões de transações residenciais em Londres no ano passado. Em um ano típico, investidores estrangeiros chegaram a levantar um valor estimado em 15% sobre novas transações, uma porcentagem que aumenta ainda em 40% se comparado com as zonas centrais da capital britânica.


“Singapura e Ásia são um dos mais importantes pólos para o mercado de propriedades em Londres”, disse Adam Challis, diretor de Assuntos Residenciais da companhia. “É importante manter este mercado otimista.”