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Londres

O círculo de ódio social em volta da capital inglesa

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O mercado de Havering, em Londres, onde a maioria votou a favor do Brexit  

Foto: AP


(LONDRES) Da redação com El Pais

 

O bairro de South Kensington é um dos mais europeus de Londres, cheio de italianos, espanhóis e franceses. Mas, esses não são garçons, como muitos de seus compatriotas, e sim executivos de bancos e financeiras. O preço das casas está estimado em cerca de 500 mil libras por cada quarto, e se oferece 95% da hipoteca. 

O Brexit, para eles, foi um duro golpe e ainda olham com estupor para essa maioria que se estende além de Londres, no interior, e que acreditam que foi manipulada ou que se deixou levar.

 

Mas, a serenidade tampouco reina entre os mais sofisticados: não é normal que dezenas de londrinos esperem para insultar a gritos o ex-prefeito da cidade Boris Johnson, líder do Brexit, em sua casa, um dia após o referendo do dia 23 de junho. Os nervos estão à flor de pele e o país se partiu em dois.


Basta uma hora de metro para sair dessa Londres cosmopolita e de gente mais bonita e chegar, por exemplo, a Havering. O bairro, na fronteira entre o campo e a cidade, onde começam as vastas planícies do Brexit e do resto do país. No mercado do Romford, com supermercados de tudo "a 99 centavos ou menos", e lúgubres casas de apostas, é fácil encontrar partidários do Brexit: basta seguir as bandeiras britânicas nos postos que vendem sapatos, frutas ou peixes. Foram colocadas até nos frangos, para esclarecer que é produto nacional.




BNNP729 Londres Xenofobia


Eles respondem com ferocidade com uma palavra que se repete com rancor: não é Europa nem Bruxelas, é "establishment", votaram contra isso, e são de casa.


O triunfo do "Brexit" levou a uma série de incidentes de caráter xenofóbico contra comunidades de imigrantes, o que forçou o governo a anunciar um próximo plano de ação para erradicar esses ataques.

Em algumas áreas com forte presença de imigração polonesa, como na cidade de Huntingdon, no condado inglês de Cambridgeshire, os moradores encontraram panfletos que diziam em inglês e em polonês "Deixamos a UE. Acabou a praga polonesa", de acordo com fotografias divulgadas pela imprensa.


O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, por sua vez, contabilizou nos últimos dias uma centena de "incidentes de ódio" e pediu à ministra do Interior, Theresa May, que aprofunde as condições de segurança dos imigrantes.

Diante da proliferação de surtos de violência xenofóbica, o primeiro-ministro David Cameron afirmou no parlamento que o Executivo planeja anunciar "em breve" um plano de ação com o objetivo de dar um fim a esses ataques "horrorosos", mas não revelou os detalhes.