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Londres

“Somos 48%”

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(LONDRES) Da redação

 

Mais de 50 mil pessoas se reuniram em Londres em manifetação contra a decisão pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE). A chamada “Marcha pela Europa” foi convocada pelas redes sociais, pintou as ruas da cidade globalizada de azul em alusão à cor do grande bloco, e escancarou o recado através do principal grito de protesto: “Somos 48%”

A marcha foi a maneira encontrada por representantes dos 48,1% que votaram em prol da permanência do Reino Unido no bloco europeu de pressionar o governo britânico a não ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, o que iniciaria formalmente a "Brexit".


Com 52% dos votos a favor em referendo, o Reino Unido decidiu deixar a União Europeia (UE) após 43 anos de participação no bloco. A taxa de participação no referendo foi de 71,8%, a maior em votações no Reino Unido desde 1992.

Londres está entre os locais que votaram majoritariamente pela permanência na UE, junto com Escócia e Irlanda do Norte. Já Inglaterra e Gales apoiaram majoritariamente o Brexit.


Entre as publicações na rede social, há o argumento de que permanecer na UE significa lutar pela inclusão e humanidade. "Somos mais de 40 mil dizendo sim para a UE", disse um usuário. A página recebeu manifestações contrárias. Um internauta afirmou que a marcha é uma demonstração contra a democracia: "Realmente triste, se eles amam tanto a União Europeia, então vão viver lá!".


O Reino Unido faz parte da Comunidade Europeia desde 1973, mas sempre manteve algumas posições, como a de não aderir ao euro – mantendo como moeda nacional a libra –, e de não aderir ao Acordo Schengen, tratado de livre circulação de pessoas em territórios europeus.




Entre os que defendem a saída do Reino Unido da União Europeia, um dos principais argumentos é econômico. Eles afirmam que, com o Brexit, o Reino Unido ficaria livre para estabelecer relações comerciais com outros países, por exemplo, a China. Os favoráveis ao Brexit afirmam que a taxação sobre as exportações para países de fora da UE é extremamente alta.


Além disso, a saída poderá permitir a alteração das políticas de migração e a criação de um regulamento próprio para a entrada de refugiados. Esse último ponto é polêmico e teve peso na votação, em um momento de grave crise migratória e em que os países europeus não conseguem chegar a um acordo sobre como deve ser a política para os refugiados.