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“Carimbó chamegado” de Dona Onete sacode o público durante Festa Julina

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Dona Onete durante apresentação em Londres 

foto : Patricia Blumberg


(Londres) Por Patricia Blumberg


Bastou os primeiros aplausos e os gritos de "diva" para ela largar o medo e a cadeira, recomendável nos últimos meses, por conta dos bicos de papagaio na coluna e da artrose nas pernas, e mandou beijos à plateia, remexendo-se inteira. Após a primeira batucada, voltou a sentar-se “para não correr nenhum perigo”, como ela mesma brincou.


Dona Onete apresentou o autêntico sabor do Pará num apanhado de sucessos que incluiu o aclamado“Jamburana”. Mesmo britânicos sem rebolado não conseguiram ficar parados durante a música, que fez todo mundo “tremer o ombrinho, requebrar e gemer”. O sucesso faz uma divertida alusão ao efeito da erva jambu - típica da região do Norte do Brasil. As folhas e flores, quando mastigadas, dão uma sensação de formigamento nos lábios e na língua, em razão da ação anestésica local.


O show de Dona Onete durou pouco mais de uma hora e meia, desafiando a própria gravidade da cantora. Os aplausos permaneceram por minutos, como um eco sonosplástico pela saudade e vontade de permanecer mais um domingo inteiro com essa brasilidade made in Pará.


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Tarde de forró antes da apresentação de Dona Onete

foto: Beth Kress


Carreira tardia


Com o segundo disco, "Banzeiro" (que significa movimento de ondas agitadas) recém-lançado, Dona Onete segue movimentando águas ainda não navegadas, colhendo tardiamente os louros, bem como aconteceu em outras décadas com Cartola e Clementina de Jesus.

Onete lançou “Feitiço Caboclo” (2012) - primeiro disco oficial da carreira e que conquistou elogios da crítica especializada.

Uma de suas recentes composições, “Chamego de Boto”, foi escolhida pelos cineastas Beto Brant e Renato Ciasca para trilha sonora do filme “Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios”, filmado em Santarém e lançado no ano passado.