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A raiva dos jovens pelo Brexit: "perdemos o direito de viver em 27 países"

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Foto: AFP

Jovens reclamam do resultado do referendo


(LONDRES) Por Patrícia Blumberg, Fernanda Freitas e equipe BNNP com informações de na revista The Economist e agências.


"O futuro deste país foi decidido por quem não vai estar aqui para viver com as consequências. Que desastre", escreveu em sua conta no Twitter um jovem que é identificado como @ ThomasAmor1 que vive em Manchester, no norte da Inglaterra.


Algumas das opiniões mais viscerais sobre o resultado do plebiscito, que deixa o Reino Unido fora da União Europeia, apareceram no Twitter com as hashtags "Not in my name" ("Não em meu nome") e "What have we done" ("O que nós fizemos"), que se tornaram tendências na manhã de sexta-feira (24) na rede social e foram utilizados mais de 50 mil vezes.


Com uma participação de 72%, houve 17,410,742 votos a favor de sair do bloco e 16,577,342 votos a favor do permanecer. A maioria dos jovens que votaram foram os principais perdedores da eleição.

Em sua maioria, eles votaram a favor de permanecer na União Europeia, enquanto os mais velhos escolheram a saída. Segundo a sondagem oficial do governo, YouGov, 75% dos eleitores entre 18 e 24 votaram no "Remain",ou seja, queriam ficar no bloco europeu. 56% dos eleitores entre 25 e 49 anos também foram a favor da continuidade no bloco.


Entre os eleitores com idades entre 50 e 64 anos, apenas 44% queriam ficar na União Europeia. E entre os com mais de 65 anos, apenas 39% votaram pela continuidade. No Reino Unido, a idade mínima para participar de votações é de 18 anos, embora na Escócia, desta vez, reduziram o limite para 16 anos.

 


"Geração do Brexit"


Jovens de todas as partes tinham dito que não queriam ser conhecidos como a "geração Brexit" e muitos usaram o Twitter para expressar sua insatisfação. A rede social não reflete a opinião geral da população. Sua demografia é muito mais jovem do que a população britânica no geral. No entanto, ela tornou-se um termômetro de opinião entre os jovens.


Uma jovem que se identificou como Jess (@JessVisco) escreveu: "Obrigado a todos. Não nos foi permitido votar pelo nosso futuro. Não pode fazer nada #WhatHaveWeDone". Alex Cooper, um músico de 20 anos que vive em Hampshire, no sul da Inglaterra, publicou a foto abaixo em sua conta no Twitter: "Eu estou indo viver em outro lugar", disse ele depois de expressar a sua consternação pelo resultado do plebiscito.


"Eu realmente não irei mas, como guitarrista, sinto que (após a decisão de deixar a União Europeia) ficarão muito difíceis as minhas possibilidades de sair em turnê pela Europa. Isso é certo. Sonho em viver no exterior. Talvez isso é o que farei um dia, estou pensando em França".

 

Choque de gerações: mais jovens reinvindicam seus direitos pelo future

 

"O futuro da nossa geração tem sido em grande parte decidido por aqueles que não serão afetados a longo prazo. O nosso país está irreconhecível #NotInMyName", escreveu outra jovem usuária do Twitter que se identificou como Katie (@Kaaaaatie_x).


Caden (@transclone) escreveu: "O futuro da minha geração foi decidido por aqueles que têm mais de 65 anos que não sofrerão as consequências, enquanto aqueles com 16 e 17 anos não tiveram como se expressar #NotInMyName".