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Europa

Efeito dominó: outros países discutem a saída da União Europeia

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Foto: Google



 "Uma Europa sem o Reino Unido nunca poderia ser suficientemente forte", afirmou, em 1975, o então chanceler da Alemanha, Helmut Schmidt, por ocasião da vitória do "sim" em um plebiscito sobre a entrada britânica no Mercado Comum Europeu.


Quarenta e um anos mais tarde, as palavras de Schmidt serão postas à prova.

Para dar início a um efeito dominó entre os países do bloco e enfraquecer o atual modelo europeu, bastou o Reino Unido mexer a primeira peça no histórico referendo de 23 de junho. Embora por uma margem apertada - 51,9% a 48,1% -, o cidadão britânico votou pela saída da União Europeia.


Trata-se de uma decisão singular, que muda a relação do país com seus vizinhos e com o mundo.

O chamado Brexit entra em uma lista de problemas como a severa crise migratória, o crescimento econômico modesto e a ascensão dos movimentos de extrema-direita nos 28 paíes que compões a UE, que já se via em crise antes da revolta de um de seus membros mais importantes.


Seria este o começo do fim do projeto de uma Europa unida?


Na Escócia, a reação veio em cadeia. Minutos depois que as primeiras projeções começaram a dar
como certa a vitória pela saída do Reino Unido da União Europeia, a chefe do governo escocês, Nicola Sturgeon, afirmou que a saída do bloco pode provocar a convocação de outro referendo, dessa vez para decidir a permanência da Escócia no Reino Unido.


A decisão também abre um horizonte desconhecido para a ilha da Irlanda, onde o Reino Unido faz fronteira com outro país da UE, a República da Irlanda. A Irlanda do Norte votou majoritariamente pela permanência, posição que teve o apoio do primeiro-ministro do vizinho do sul, Enda Kenny. Com o Brexit, a Irlanda ficará sem uma fronteira terrestre com a União Europeia.


Pela Europa


Deputados europeus de ultra-direita também têm feito campanha em Viena com o slogan "a primavera dos povos", uma alusão ao aveso do movimento revolucionário de 1848. Essa turma toda já está pronta para tentar se aventurar



Foto: Reuters
Pies de foto: Marine Le Pen é de extrema direita e quer levantar onda nacionalista na França

Marine Le Pen, líder do partido francês Frente Nacional, afirmou que os cidadãos de seu país deveriam ter o direito de opinar a respeito da permanência no bloco.

"Vitória da liberdade. Como tenho dito há anos, nós agora devemos ter o mesmo referendo na França e em outros países na UE", escreveu no Twitter Le Pen - que está entre as favoritas para as eleições presidenciais na França do ano que vem.

Na Holanda, o líder anti-imigração Geert Wilders disse por meio de um comunicado que os holandeses "querem estar no comando de seu país, de seu dinheiro, de suas fronteiras e de suas políticas de imigração". A Holanda terá eleiões gerais em março e algumas pesquisas de opinião colocam Wilders como líder na disputa. Uma pesquisa recente sugere que 54% dos holandeses querem um referendo sobre a permanência na UE.

Já Mateo Salvini, líder do partido italiano Liga Norte tuitou: "Viva a coragem dos cidadãos livres! Coração, cérebro e orgulho derrotaram as mentiras, ameaças e chantagens. Obrigado, agora é nossa vez".


Na Dinamarca, o Partido Popular, que quer renegociações com UE, saudou a decisão "corajosa" dos britânicos, mas afirmou que todos "devem manter a cabeça no lugar".