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Britânicos optaram por sair do bloco europeu. E agora?

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(LONDRES) Da redação - Há muito anos vinha falando-se em sair da União Europeia, mas a ideia tomou forma de uma consulta popular quando de David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, ganhou à aprovação no parlamento para que o referendo fosse feio.Esta novela chegou ao clímax do enredo nos primeiros raios de sol da sexta-feira (24), quando mais de 52% dos britânicos votaram pela saída da ilha da União Europeia. Um fato que vai marcar para sempre a história do Velho Continente.


As primeiras consequências já começaram a ser sentidas. No mesmo dia em que os resultados foram conhecidos, o primeiro-ministro David Cameron anunciou sua renúncia, a libra esterlina sofreu uma queda histórica e os mercados financeiros mundiais somaram perdas da ordem de US$ 2 bilhões. E isso foi só o começo.


Um dia depois, a agência Moody's informou que rebaixou a nota de crédito do Reino Unido de "estável" para "negativa", foi noticiado que várias multinacionais estavam se preparando para fechar postos de trabalho em Londres e o governo escocês confirmou que estava preparando-se para um segundo plebiscito sobre sua independência, entre outras medidas.


BNNP728 Referendo

(FT / Mulher queima a bandeira da União Europeia em frente ao Paralmento Britânico após a divulgação do resultado)


Como fica a situação dos europeus por aqui?


O Reino Unido ainda é parte da UE e o processo formal para realizar a sua saída não começou. Sair da União Europeia não é tão simples assim. Trata-se de um processo, não de um evento pontual. O Reino Unido pode continuar sendo um membro do bloco até a negociação do acordo de saída, mas é impossível prever quanto tempo o processo levaria.


O ponto de partida para entender os trâmites do divórcio é o artigo 50º do Tratado da União Europeia, que estabelece o procedimento aplicável no caso de um Estado-Membro notificar o Conselho Europeu de sua intenção de sair da UE.

Essas negociação têm prazo máximo de dois anos e o Parlamento Europeu tem poder de veto sobre qualquer novo acordo formalizando o relacionamento entre o Reino Unido e a União Europeia.


O grande problema é a incerteza, já que nenhum país da União Europeia até hoje deixou o bloco desde sua criação. As negociações de saída ainda não têm data de início, mas prometem ser complexas, pois envolvem a recisão de tratados internacionais e, sobretudo de legislação interna britânica. Para começar, o Parlamento britânico precisa derrubar os atos que dão primazia à lei europeia sobre a britânica.

Para se ter uma idea da complexidade, há pelo menos 80 mil páginas de acordos entre o Reino Unido e a União Europeia.


Batalha de Bruxelas


O encontro marcado para a noite da terça-feira (28), foi o primeiro passo pós decisão dos britânicos de deixar o bloco. Todos os 27 países-membros participaram do encontro histórico que pondera uma decisão inédita, já que trata-se de decidir sobre o mercado comum, o livre trânsito de pessoas, e os acordos de impostos e benefícios.


David Cameron deve chegar o cargo em outubro deste ano, já que renunciou a posição logo após o resultado do referendo. Outra liderança deve tocar em frente os acordos internos e externos nos próximos tempos.


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Foto: Reuters

Pies de Foto: Prédio da sede da UE em Bruxelas será o palco dos acordos