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Efeito dominó: outros países discutem a saída da União Europeia

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Eleitor britânico veste uma réplica da camisola que Thatcher usou na campanha no referendo de 1975 (Reuters)


(LONDRES - Da redação) Para dar início a um efeito dominó entre os países do bloco e enfraquecer o atual modelo europeu, bastou o Reino Unido mexer a primeira peça no histórico referendo de 23 de junho. Embora por uma margem apertada - 51,9% a 48,1% -, o cidadão britânico votou pela saída da União Europeia (UE) no plebiscito realizado nesta quinta-feira.


Trata-se de uma decisão singular, que muda a relação do país com seus vizinhos e com o mundo. O país pertenceu ao bloco desde a fundação de seu embrião, a Comunidade Econômica Europeia, há 43 anos.


Na Escócia, a reação veio em cadeia. Minutos depois que as primeiras projeções começaram a dar
como certa a vitória pela saída do Reino Unido da União Europeia, a chefe do governo escocês, Nicola Sturgeon, afirmou que a saída do bloco pode provocar a convocação de outro referendo, dessa vez para decidir a permanência da Escócia no Reino Unido. Na Irlanda do Norte, o partido nacionalista Sinn Fein também pediu uma consulta.


Pela Europa


Deputados europeus de ultra-direita também têm feito campanha em Viena com o slogan "a primavera dos povos", uma alusão ao aveso do movimento revolucionário de 1848. Essa turma toda já está pronta para tentar aventurar

Marine Le Pen, líder do partido francês Frente Nacional, afirmou que os cidadãos de seu país deveriam ter o direito de opinar a respeito da permanência no bloco.


"Vitória da liberdade. Como tenho dito há anos, nós agora devemos ter o mesmo referendo na França e em outros países na UE", escreveu no Twitter Le Pen - que está entre as favoritas para as eleições presidenciais na França do ano que vem.


Na Holanda, o líder anti-imigração Geert Wilders disse por meio de um comunicado que os holandeses "querem estar no comando de seu país, de seu dinheiro, de suas fronteiras e de suas políticas de imigração". A Holanda terá eleiões gerais em março e algumas pesquisas de opinião colocam Wilders como líder na disputa. Uma pesquisa recente sugere que 54% dos holandeses querem um referendo sobre a permanência na UE.


Já Mateo Salvini, líder do partido italiano Liga Norte tuitou: "Viva a coragem dos cidadãos livres! Coração, cérebro e orgulho derrotaram as mentiras, ameaças e chantagens. Obrigado, agora é nossa vez".


Na Dinamarca, o Partido Popular, que quer renegociações com UE, saudou a decisão "corajosa" dos britânicos, mas afirmou que todos "devem manter a cabeça no lugar".